Agricultura publica comunicado para convencer parceiros internacionais a manterem importações de aves
Sob o argumento de que tem um compromisso permanente de transparência com a sociedade brasileira e com os importadores de produtos do Brasil, o Ministério da Agricultura (Mapa) divulgou uma nova nota de esclarecimento, de três páginas, para prestar esclarecimentos adicionais a respeito da terceira fase da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. No comunicado, distribuído ontem aos principais países importadores de carnes de aves do Brasil, o órgão garante que o sistema sanitário brasileiro tem agido de forma rigorosa, monitorando, investigando e punindo estabelecimentos em desacordo com as normas de sanidade animal.
“As medidas adicionais para evitar irregularidades nos laboratórios credenciados pelo MAPA consistem no aprimoramento do ato regulatório que rege o credenciamento, na automação no sistema de solicitação de credenciamento e na intensificação do processo de monitoramento dos laboratórios credenciados. O MAPA reafirma o compromisso com a sociedade e com os mercados consumidores de cumprir com sua missão e de zelar pela segurança dos alimentos”, diz um trecho do comunicado.
Segundo o Mapa, em 2017, em atividades de rotina, foram verificados por auditores fiscais agropecuários indícios de irregularidade, quanto à omissão de resultados laboratoriais positivos para salmonela, que embasariam a certificação sanitária. Como resultado desse processo de investigação, sete estabelecimentos foram inabilitados, de acordo com os parâmetros legais aplicáveis.
Em seguida à operação, foram adotadas as seguintes ações: intensificação do controle oficial de salmonela em carcaças de frangos e perus, nos 15 abatedouros de aves pertencentes ao grupo BRF S/A; e a restrição total, no âmbito do Serviço de Inspeção Federal, dos resultados de análises emitidos pelos laboratórios credenciados implicados, para fins de respaldo à certificação sanitária, até que sejam concluídas as investigações.
Ainda conforme a nota, essa investigação seguia em segredo de justiça e, na última etapa, contou com a articulação entre o Ministério da Agricultura e a Polícia Federal. O período de levantamento dos dados periciais englobou as análises realizadas entre 2012 e 2016, informou a pasta, que citou, um a um, os indícios apontados pela Policia Federal e seus respectivos frigoríficos:
SIF 424 – SHB Comercio e Indústria de Alimentos S.A. – Ocultação ao Serviço Oficial, por parte do estabelecimento, de positividade a campo de Salmonella Pullorum em lotes de matrizes, no município de Carambeí.
SIF 1001 – BRF S/A – Adulteração de resultados laboratoriais no sentido de certificar produtos sabidamente positivos para salmonela, destinando-os a países que exigem controle e tipificação para Salmonella spp.
SIF 1010 – BRF S/A – Adulteração de resultados laboratoriais no sentido de certificar produtos sabidamente positivos para salmonela, destinando-os a países que exigem controle e tipificação para Salmonella spp.
O Ministério da Agricultura destacou que, por meio da Instrução Normativa SDA nº 20, de 21 de outubro de 2016, estabeleceu o controle e o monitoramento de Salmonella spp. nos estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus de corte, nos estabelecimentos de abate de frangos, galinhas, perus de corte e reprodução, registrados no Serviço de Inspeção Federal, com objetivo de reduzir a prevalência da bactéria, estabelecendo nível adequado de proteção ao consumidor nacional e internacional.
Em se tratando de carne de aves, Salmonella Enteritidis, Salmonella Typhimurium ou salmonelas monofásicas, são consideradas de maior importância à saúde pública, observou o Ministério da Agricultura. Caso sejam identificadas essas salmonelas, a produção é destinada ao tratamento térmico, antes da comercialização, garantindo assim sua eliminação. O estabelecimento, por sua vez, deve identificar a causa da violação (identificação da presença do patógeno), revisar os programas de autocontrole, adotar medidas corretivas e preventivas com o objetivo de restabelecer a conformidade em relação a esse agente, tanto no abatedouro quanto nas granjas avícolas.
*O Globo