Skip to content

Geral

Agosto Lilás: campanha destaca rede de proteção e prevenção em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A violência contra a mulher segue como um problema persistente no Brasil e afeta mulheres de diferentes idades, classes sociais e realidades. Segundo dados nacionais, uma em cada três brasileiras já sofreu algum tipo de violência, seja física, psicológica, sexual ou patrimonial. Especialistas apontam que, além da repressão aos agressores, a prevenção e a conscientização da sociedade são fundamentais para reduzir os casos e oferecer condições para que as vítimas rompam o ciclo de agressões.

A Prefeitura de Passo Fundo realiza durante o mês de agosto a campanha Agosto Lilás, voltada à conscientização e ao combate à violência contra a mulher. Conforme a coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Taciana Modler, a ação integra a mobilização nacional realizada no mês em que a Lei Maria da Penha completa 18 anos. Segundo ela, o objetivo é reforçar a prevenção e o enfrentamento a um problema que classifica como social, por meio da divulgação de informações e fortalecimento da rede de proteção.

Taciana informou que, no primeiro semestre deste ano, foram registradas cerca de 1.400 ocorrências de violência contra a mulher em Passo Fundo. Para a coordenadora, o número é alto, mas indica que mais mulheres estão buscando ajuda. “Com as medidas protetivas concedidas rapidamente, vidas são salvas”, afirmou. Ela destacou que, em 2025, o município não registrou casos de feminicídio, ao contrário do cenário estadual.

A coordenadora explicou que a rede de proteção no município é formada por diversos órgãos, como o Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM), a Casa de Maria da Penha, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e a Patrulha Maria da Penha. A Coordenadoria da Mulher atua na articulação entre esses serviços, verificando demandas e necessidades para que a estrutura funcione de forma integrada.

Entre os principais desafios, Taciana citou a necessidade de ampliar a conscientização da comunidade. Ela ressaltou a importância de que vizinhos e familiares denunciem casos de violência pelo telefone 180, que funciona 24 horas e é gratuito. Também reforçou que a independência financeira e emocional das vítimas é fundamental para que elas consigam romper o ciclo da violência, e que esse é um dos focos do trabalho neste ano, com incentivo ao empreendedorismo e à qualificação profissional.

A coordenadora afirmou ainda que o enfrentamento à violência contra a mulher exige participação de toda a sociedade, incluindo os homens. “Homens e mulheres têm que estar de mãos dadas nessa luta, porque a mulher não é posse, ela é digna de direitos”, disse. Taciana orientou que informações sobre os serviços de acolhimento podem ser acessadas no site da Prefeitura de Passo Fundo e reforçou que nenhuma vítima está sozinha.

Taciana acrescentou que, em muitos casos, as denúncias partem de mulheres que convivem com a violência há décadas, o que demonstra, segundo ela, que o acesso à informação e as campanhas de conscientização têm encorajado vítimas a buscar ajuda. Ela observou que a violência não está restrita a um perfil econômico específico e que a rede de atendimento busca oferecer suporte psicológico, social e jurídico para que cada mulher consiga retomar sua autonomia e segurança.

Atendimentos municipais para as mulheres
A Prefeitura de Passo Fundo mantém, de forma permanente, ações e serviços que integram a rede de proteção:
Coordenadoria da Mulher – Órgão ligado à Prefeitura de Passo Fundo, responsável pela articulação das políticas públicas para as mulheres. Realiza acolhimento, escuta qualificada, orientação jurídica e psicossocial, encaminhamentos à rede de proteção e projetos de empoderamento e autonomia econômica.
Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM) – Órgão paritário que formula, fiscaliza e acompanha políticas públicas para mulheres, garantindo diálogo entre sociedade civil e poder público.
Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) – Oferece apoio psicológico, social e jurídico gratuito a mulheres em situação de violência, atuando de forma integrada com a Coordenadoria da Mulher e outros serviços.
Serviços da Assistência Social (PAC) – Por meio dos CRAS e CREAS, oferece escuta social, benefícios eventuais, inclusão em programas de geração de renda e encaminhamentos.
Casa Maria da Penha – Acolhimento institucional para mulheres em risco iminente, com ou sem filhos, garantindo moradia provisória, alimentação, acompanhamento psicossocial e jurídico.
Centro de Referência em Saúde da Mulher – Atendimento integral à saúde feminina, com consultas, exames preventivos, planejamento familiar, pré-natal de alto risco e acolhimento de mulheres vítimas de violência.

Outros serviços da rede em Passo Fundo
Além das ações municipais, o município conta com outras instituições e órgãos que fortalecem a proteção às mulheres:
Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores – Recebe denúncias, orienta e encaminha casos, além de propor ações legislativas e campanhas de conscientização.
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) – Unidade da Polícia Civil para registro de ocorrências, solicitação de medidas protetivas e investigação de crimes.
Projur Mulher e Diversidade – UPF – Assistência jurídica gratuita e qualificada para mulheres vítimas de violência e pessoas LGBTQIA+.
Defensoria Pública Especializada para Mulheres Vítimas – Atendimento jurídico gratuito em casos de violência doméstica e familiar.
Vara Especializada da Violência Doméstica – Julgamento e acompanhamento de processos relacionados à Lei Maria da Penha, garantindo celeridade e especialização.
Patrulha Maria da Penha – Monitoramento das medidas protetivas de urgência, com visitas periódicas e atendimento emergencial.