Advogado Dárcio Vieira Marques avalia vazamento de anexo de delação da Odebrecht
O final de semana foi marcado pelo vazamento do anexo da delação premiada do executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. No documento, divulgado pela imprensa, Melo Filho diz que em uma reunião no Jaburu em 2014, o presidente Michel Temer pediu a Marcelo Odebrecht apoio financeiro às campanhas do PMDB.
Conforme o delator, o então presidente da empreiteira teria se comprometido com o pagamento de R$ 10 milhões. Cerca de 50 políticos são citados no anexo, entre eles o senador Romero Jucá, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o secretário-executivo do Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco.
O advogado Dárcio Vieira Marques acha preocupante a conduta dos meios de comunicação e das autoridades em divulgar precipitadamente a delação. Ele questiona que se não houver comprovação do envolvimento dos nomes citados será difícil reparar a honra dessas pessoas.
Dárcio Marques explica que o país está empenhado em fazer uma depuração política, mas isso não justifica a quebra dos princípios fundamentais do direito de defesa. A delação premiada não pode ser transformada em uma sentença irrecorrível, ela é um começo de prova.
Segundo o Ministério Público Federal, o documento só possui validade jurídica após homologação pelo Supremo Tribunal Federal. Para Marques, o vazamento pode ser até uma retaliação daqueles que foram prejudicados com a Lava Jato. Ele enfatiza que o vazamento não contribui para a paz social e para a estabilidade das instituições.