Advogado da Semeato afirma que empresa quer se reerguer, mas dívida atual não pode ser paga sem um acordo
No último dia 07 de março foi retirado o sigilo da proposta apresentada pela Semeato à Justiça do Trabalho para pagamento das dívidas trabalhistas. Imediatamente a Comissão dos Advogados Trabalhistas da OAB Subseção Passo Fundo, que representa os credores, se reuniu para analisar a matéria.
Na ocasião, a Uirapuru conversou com o advogado Giovani Papini, que destacou que a proposta não é viável porque resultaria em um prejuízo irreversível para os ex-funcionários. Muitos estão há seis anos aguardando na Justiça pelos seus direitos. O número de reclamatórias chegou a 731, sendo que a dívida passa de R$ 71 milhões. O jurista destacou que a empresa, além de desvalorizar créditos, prevê parcelamentos. Valores de créditos de até R$ 50 mil terão um desconto de 15%, até R$ 150 mil e acima desse valor o desconto é de 30%. Ainda conforme relatou o advogado, a proposta também solicita a suspensão imediata de leilões.
A Uirapuru cedeu nesta segunda-feira (18) espaço para o advogado da Semeato, Flávio Sirângelo, da Souto e Corrêa Advogados, explicar sobre a posição da empresa. Sirângelo afirmou que a empresa quer mudar de postura, pois está em uma situação de retomada e de possível crescimento. Quer atender aos créditos legítimos desses empregados, mas isso tem que ser feito por um acordo, uma vez que a dívida se avolumou de uma maneira que não é possível pagar de uma vez só e nem nos valores em que estão hoje. Por isso, a Semeato quer iniciar a quitação desses valores, porém precisa manter a fonte produtiva, ou seja, a empresa funcionando, uma vez que atualmente são 400 funcionários ativos.
Conforme o jurista, quando uma dívida atinge um patamar como esse, a única forma de quitá-la é um acordo, por isso ambas as partes precisam ceder e negociar. Sirângelo disse que a forma com que o processo está sendo conduzido, com a realização de leilões de bens, não vai resolver o problema. Segundo ele, quando vai a leilão o imóvel sai por um valor muito menor do que se a empresa negociasse de forma direta com o interessado. Isso levou a empresa a mudar a estratégia e oferecer pagamentos que consegue fazer hoje.
Em 2019 a empresa está oferecendo R$ 12 milhões para sanar parte da dívida com os credores. O advogado afirmou que, se o acordo for aceito, vários lesados terão seus valores quitados. O advogado Sirângelo reiterou a mudança de postura e que a proposta não é para ganhar mais tempo e sim encontrar uma solução para ambas as partes seguirem os seus rumos.