Advogado Antônio Mariz de Oliveira anuncia que vai deixar defesa de Temer
Nesta sexta-feira (22), o advogado Antônio Mariz de Oliveira informou que deixará a defesa do presidente Michel Temer. O criminalista alegou que tomou a decisão de se desligar das ações judiciais que envolvem o presidente da República por questões éticas, em razão de ter atuado na defesa do doleiro Lúcio Funaro, que fez acusações contra Temer em seu acordo de delação premiada.
O advogado de Temer tornou pública a decisão de deixar a defesa do presidente um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhar para a Câmara dos Deputados a nova denúncia contra o peemedebista apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR) por organização criminosa e obstrução de Justiça.
Antônio Mariz de Oliveira disse que apresentará nesta sexta-feira a Temer uma lista com quatro sugestões de advogados para assumirem a defesa do presidente. O criminalista não quis adiantar os nomes.
Embora esteja deixando oficialmente a defesa do peemedebista, Mariz disse que continuará aconselhando Temer em questões jurídicas.
Delação de Funaro
Funaro afirmou aos procuradores da República, em um dos depoimentos de sua delação, que tem “certeza” de que Temer recebia parte da propina paga no esquema que atuou na Caixa Econômica Federal e envolvia peemedebistas da Câmara.
Também disse à Procuradoria Geral da República (PGR) que o advogado José Yunes, amigo e ex-assessor de Temer, era um dos responsáveis pela gestão do dinheiro supostamente repassado a Temer. Além disso, destacou o novo delator da Lava Jato, Yunes fazia a lavagem de recursos obtidos por meio de cobrança de propina por meio da compra de imóveis para o presidente da República.
De acordo com Funaro, para lavar o dinheiro e disfarçar a origem, Yunes investia os valores ilícitos em sua incorporadora imobiliária.
Os depoimentos de Lúcio Funaro ao Ministério Público Federal (MPF) foram utilizados pela Procuradoria Geral da República (PGR) na segunda denúncia apresentada contra Temer, por organização criminosa e obstrução de Justiça, e que foi enviada à Câmara dos Deputados na quinta.
Em um dos trechos da denúncia, o doleiro contou que obras das hidrelétricas do Rio Madeira realizadas por Furnas – empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia – resultaram no pagamento de propina a Temer e para os ex-deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
A PGR aponta também que Funaro teve participação em um esquema no Ministério da Agricultura do qual o empresário Joesley Batista, da JBS, se aproveitou.
O esquema, segundo a PGR, foi montado por Eduardo Cunha – com o aval de Henrique Eduardo Alves e Michel Temer – para obter a revogação de um ato normativo que autorizava a aplicação de vermífugos de longa duração e diluição. Assim, voltaram a ser usados vermífugos de prazo de absorção mais curto, facilitando a exportação das carnes.
*G1