Acusados de ser mandante e executor de morte de idosas em Lagoa Vermelha irão a júri popular no dia 10
No dia 25 de outubro de 2016, um crime chocou a cidade de Lagoa Vermelha e Região. Um duplo homicídio foi registrado durante a tarde de terça-feira, na comunidade do Rincão São Francisco.
Duas mulheres foram encontradas mortas a tiros no pátio da residência onde uma delas vivia. As vítimas foram identificadas como Regina Venzon Piccoli (61), proprietária da casa onde os corpos foram encontrados e Vilma Scalabrim Casal (79). Vilma estava na casa visitando a amiga Regina.
A Polícia Civil trabalhou inicialmente com duas linhas de investigação: latrocínio – roubo seguido de morte e até mesmo uma execução em razão às circunstâncias do fato.
Ainda na data do crime os policiais civis realizaram uma série de diligências, identificaram testemunhas, colheram depoimentos e com o trabalho de perícia e alguns apontamentos de pistas no local do crime, descartaram a possibilidade de latrocínio. Nada foi levado da residência, apenas a execução das vítimas foi constatada. Com isso a polícia civil apontou que o crime foi premeditado e a autoria tinha por finalidade a execução.
Em razão do que restou apurado na investigação, a polícia civil diligenciou pela localização do principal suspeito e acabou localizando o mesmo, que em depoimentos confessou os assassinatos. Com ele, os policiais apreenderam o veículo e a arma usada no crime.
Os acusados
Mario Picoli, sobrinho de Regina, com 31 anos a época do crime foi apontado como suposto mandante do crime. Ele é natural de Lagoa Vermelha porém residia na cidade de Ciríaco. Atualmente encontra-se recolhido no Presídio Estadual de Erechim.
William Bremm Pedroso, com 20 anos na data dos fatos, natural de Lagoa Vermelha e morador da mesma comunidade que a vítima, foi apontado como autor. Hoje encontra-se encarcerado no Presídio de Lagoa Vermelha.
A denúncia
O Ministério Público do Rio Grande do Sul ofereceu denúncia contra os acusados pela prática de homicídio que foi praticado em comunhão de esforços e conjugação de vontades, por motivo torpe, mediante promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima, fazendo uso de arma de fogo.
O MP cita na denúncia que o crime foi cometido em razão de desavenças envolvendo a localização, quantidade de hectares e transmissão de propriedade de terras envolvendo negócio realizado pela família de Regina Venzon Picoli, a família do denunciado Mario Picoli e uma terceira pessoa.
O Ministério Público sustenta ainda que William Bremm Pedroso receberia R$10 mil e uma caminhonete pela prática do crime.
Mario Picoli teria sido, segundo o MP, o autor intelectual do delito, ordenando a morte, contratando o autor planejando e ajustando o delito com seu comparsa.
Para o MP, a vítima que era amiga da dona da casa onde o crime ocorreu, foi assassinada para evitar que relatasse a polícia o crime que havia presenciado.
O que diz a defesa
Em nota oficial enviada a imprensa, os advogados criminalistas Fabrício Lorandi Pinheiro, Daniel Viuniski e Paulo Cavalcanti, que realizarão a defesa de Mário Picoli disseram que respeitam muito o sentimento de perda dos familiares das vítimas e que o julgamento será repleto de emoção, já que as duas senhoras eram queridas pela comunidade local e não mereciam ser mortas da forma que ocorreu. “Todas as verdades serão devidamente demonstradas e esclarecidas aos jurados, verdadeiros Juízes naturais da causa. Desde o princípio, Mário Picoli foi verdadeiro e sincero, contando detalhes que serão importantes para a formação da convicção dos jurados”.
A defesa disse a respeito do acusado que trata-se, de homem íntegro, humano, primário, com bons antecedentes, pai de família e agricultor; que jamais em sua vida se envolveu em qualquer outro fato parecido.
William Bremm Pedroso será assistido no júri que ocorre no Fórum de Lagoa Vermelha pela Defensoria Pública. A sessão de julgamento dos acusados está prevista para ter início às 09h.