Acusados de compra de votos, prefeito e vice de Coxilha são declarados inelegíveis por oito anos, mas prosseguem nos cargos
Em decisão de primeira instância, a juíza eleitoral da 33ª Zona Eleitoral de Passo Fundo, Lizandra Cericatto Vilarroel, determinou a inelegibilidades do prefeito de Coxilha Julio Cesar Ceni e do seu vice José Luiz Vicenzi, pelos próximos oito anos.
A decisão já foi publicada no Diário Oficial da Justiça Eleitoral e atende parcialmente a ação de investigação eleitoral pela prática do uso indevido e abuso do poder econômico para a captação ilícita de votos nas eleições de outubro do ano passado. A ação foi proposta pelo então candidato derrotado no pleito, Douglas Zilio (PT) e pela coligação Aliança Democrática Progressista. Eles acusam o prefeito eleito de oferecer dinheiro, emprego e outros benefícios a eleitores.
Duas testemunhas confirmaram as acusações perante o judiciário. Além disso foram apresentadas gravações comprovando a oferta. Em uma das gravações Ceni oferece R$ 3 mil a uma eleitora, e mais moradia e atendimento na rede de saúde municipal. A outro eleitor foi oferecido duzentos reais, além do pagamento de R$ 100,00 por cada voto conquistado.
Os autores da ação pediam a cassação dos eleitos, o que acabou não sendo acatado em primeira instância. A juíza considerou na decisão a pouca representatividade da prova colhida no universo de 2.367 votos válidos apurados no pleito eleitoral sub-judice para manter os eleitos no cargo, pois em seu entender deve preponderar a soberania popular exercida pelo voto.
Ceni venceu a eleição com 998 votos, o que representa 71 a mais do que o segundo colocado. O advogado que representa o prefeito de Coxilha é o Dr. Euclides Serápio Ferreira, que através da assessoria confirmou que já apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) para reverter a decisão.