Acordo com irmãos Batista foi lucrativo porque corrupção veio à tona, avalia advogado
A delação premiada dos proprietários do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista, debelaram um dos maiores esquemas de corrupção na política brasileira. Conforme a delação, 1.829 candidatos de 28 partidos, receberam dinheiro do grupo para as suas campanhas, desses foram eleitos 179 deputados estaduais, 167 deputados federais, 28 senadores e 16 governadores.
Mas o que vem causando mais indignação é o acordo realizado entre os empresários e a Procuradoria-Geral da República. Joesley e Wesley não serão presos, não vão usar tornozeleira eletrônica e nem serão alvo de novas acusações.
Devido às ameaças de morte, os irmãos conseguiram autorização da justiça brasileira para deixar o país. Doze horas depois de fecharem o acordo, embarcaram com as famílias para os Estados Unidos, em Nova Iorque, onde Joesley tem um apartamento. Os irmãos se comprometeram em pagar uma multa de R$ 110 milhões, cada um.
O advogado Osmar Teixeira explica que a delação premiada é a possibilidade dada ao acusado de trocar informações e fatos que não são de conhecimento das autoridades pela sua liberdade. No caso da JBS, acredita que o país saiu no lucro porque foram revelados episódios que, talvez, só fossem descobertos nas próximas eleições. Para Teixeira, a delação foi positiva porque a corrupção veio à tona.