Acompanhamento contínuo das forças de segurança é fundamental no combate à violência contra a mulher, diz soldado da patrulha
Uma média de oito casos de violência contra a mulher é registrada por dia em Passo Fundo e região. Somente no mês de janeiro, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) contabilizou 250 ocorrências nos municípios de Passo Fundo, Coxilha, Mato Castelhano e Pontão.
Conforme a Polícia Civil, o número é considerado alto, mas segue o padrão dos últimos anos. A maioria das ocorrências está relacionada a crimes de ameaça. Após o registro da denúncia, a vítima passa a ser assistida pela rede de apoio municipal. Em Passo Fundo, mulheres que não possuem familiares para acolhimento são encaminhadas a abrigos, e a polícia solicita medidas protetivas de urgência ao Judiciário. A atuação da rede pública, no entanto, depende da denúncia formal da vítima.
Mesmo diante dos índices de violência, Passo Fundo não registra casos de feminicídio desde julho de 2024. Segundo a coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Maria Luci da Silva, esse cenário é resultado da atuação rápida e integrada da rede de proteção.
A reportagem da Rádio Uirapuru ouviu, na sexta-feira, a soldado Sílvia de Lima Zin, que atua na Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar em Passo Fundo. Ela destacou que os números revelam duas realidades: a permanência da violência contra a mulher e o aumento das denúncias, o que demonstra maior confiança das vítimas nos órgãos de segurança.
De acordo com a soldado, a Patrulha Maria da Penha atua de forma preventiva, acompanhando mulheres em situação de risco antes que a violência chegue a estágios mais graves. O trabalho envolve visitas periódicas, contatos frequentes, orientação às vítimas e fiscalização do cumprimento das medidas protetivas impostas pela Justiça.
Após o registro da ocorrência, que pode ser feito presencialmente ou pela Delegacia Online, a medida protetiva é solicitada e, em muitos casos, analisada pelo Judiciário em menos de 24 horas. Quando deferida, a Patrulha Maria da Penha passa a fiscalizar o agressor e acompanhar a vítima de forma contínua. Em casos de descumprimento, a Brigada Militar é acionada imediatamente.
A soldado ressaltou ainda que a presença constante da Patrulha inibe a reincidência e fortalece a vítima, que passa a se sentir mais segura para denunciar. Entre os principais sinais de alerta estão o controle excessivo, ciúmes doentios, ameaças, isolamento da mulher, agressões verbais e psicológicas e o descumprimento de medidas protetivas. A orientação é buscar ajuda já nos primeiros indícios de violência, seja pela própria vítima ou por familiares e vizinhos.