A tragédia se repete: mais um acidente de ônibus no estado deixa 30 feridos
A cena se repete, ônibus tombado na pista e dezenas de feridos. Muitos podem pensar que as notícias são reprises de fatos já ocorridos no início de 2015, mas infelizmente, a verdade é que na madrugada de sábado (7), mais um grave acidente com um ônibus da Reunidas foi registrado no Norte do Estado. O veículo que fazia a linha Santa Rosa (RS) – Joinville (SC), capotou na RS 343, entre Cacique Doble e São José do Ouro.
Com 43 passageiros, mais de 30 ficaram feridos. O motorista, fugiu do local abandonando o carro e os passageiros. A grave situação, registrada pela Uirapuru, desde o início do ano, é chocante. No dia 6 de janeiro, um coletivo da Unesul que fazia a linha Porto Alegre-Tramandaí tombou em Glorinha e deixou oito mortos.
Em 11 de janeiro, um ônibus da mesma empresa do veículo que tombou neste sábado, a Reunidas, caiu em uma ribanceira em Santa Catarina. Nove pessoas morreram, sendo muitas da região e da cidade.
Nesta semana, que antecedeu o trágico acidente de sábado, ouvintes vinham denunciando a situação, inclusive desta linha, em que motoristas extenuados cumpriam jornadas superiores as permitidas por lei, conforme registrado na programação da emissora.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Passo Fundo, Gilberto Boeira, confirma o cansaço e as super jornadas como a principal causa para este festival de acidentes. Lembrando que os condutores tem que cumprir 8 horas por dia, com no máximo duas horas extras.
Ele ressalta a postura, inadequada de muitas empresas, que fazem os motoristas enfrentarem jornadas de até 12h. Além disso, a falta de estradas de qualidade, o acúmulo de pardais e radares, aumentam a pressão psicológica dos condutores. Tudo isso, conforme revela, tem feito com que o número de denúncias, por parte dos motoristas, tenha crescido.
De acordo com informações do Ministério Público de Passo Fundo, processos indenizatórios são de responsabilidade das vítimas. No entanto, é possível que o Ministério Público (MP), que jurisdicione no local onde o acidente se deu, entre com ação para investigar o ocorrido. Se a empresa for responsabilizada, o MP da cidade onde ela é sediada também pode atuar.
Denúncias também podem ser feitas no Ministério Público do Trabalho e Emprego. O advogado Osmar Teixeira, atesta as informações do órgão, registrando que às Polícias cabe a fiscalização, de veículos e jornadas de trabalho, e ao Ministério Público as investigações. Lembrando que as empresas também podem ser penalizadas por omissão nas fiscalizações.
As vítimas hospitalizadas no São Vicente em Passo Fundo, desde sábado, Marlise Strehe, de 60 anos e Nair Hunhopf, de 57 anos, estão bem. Foram transferidas para quartos no domingo e devem ter alta esta semana.