Com nova estação em planejamento, Corsan tranquiliza população e diz que não faltará água em 2020
O estudo que apontou escassez de água em Passo Fundo a partir de 2020 vai voltar ao debate na Câmara de Vereadores de Passo Fundo. O vereador Saul Spinelli (PSB) está organizando uma audiência para os próximos 15 dias com os setores envolvidos. O diagnóstico foi desenvolvido de 2010 a 2012 pelo Comitê da Bacia de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo e o Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp).
O tema foi discutido no programa Uirapuru Ecologia de sábado (06). O superintendente regional da Corsan, Aldomir Santi, afirmou que não vai faltar água ano que vem e o abastecimento das economias seguirá normalmente. Explicou que desde a elaboração do estudo, muita coisa foi alterada na gestão dos recursos e do sistema de distribuição da Corsan. Disse ainda que as duas barragens utilizadas na captação, Fazenda e Miranda, não sofrem interferência direta de esgotamento sanitário produzido dentro do perímetro urbano.
Santi lembrou que no contrato com a prefeitura, em 2010, a Corsan deveria apresentar um estudo de concepção para uma nova captação de água. A empresa foi atrás e elaborou o projeto, dando como alternativa a barragem do Capingui, da CEEE. Ele foi apresentado ao BID e aguarda recursos. A proposta prevê uma nova estação de tratamento na Vila Mattos. Com isso, serão duas estações, uma com água vindo do Capingui e a outra duplicada com as barragens da Fazenda e Miranda.
Ele falou que a medida em que a empresa for trabalhando para reduzir as perdas e a população utilizando a água de forma racional não há possibilidade de problemas de curto prazo, a não ser que haja uma estiagem de seis meses.
O vereador Saul Spinelli salientou que a falta de abastecimento será vivenciada por essa geração se nada for feito. Destacou que, conforme o estudo, 50% do volume de água disponível na bacia é para consumo humano, 23% para a agricultura e pecuária, 18% para indústrias e 9% para outros fins. Afirmou que a população tem que fazer a sua parte não poluindo e fazendo o uso racional da água. O vereador falou que a curto prazo poderemos não ter problemas, mas a médio sim se também as obras previstas pela Corsan não forem efetivadas.
A cidade conta com um Fundo de Gestão Compartilhada, que conta com com 5% do faturamento da água e 100% do lucro do esgoto. O fundo é gerido por uma comissão, composta pela Corsan, prefeitura e sociedade representativa. Setenta por cento do valor arrecadado do fundo só pode ser utilizado em obras de esgotamento sanitário e 30% fica em aberto. Atualmente o fundo possui mais de R$ 45 milhões depositados para obras, como rede coletora e estações de tratamento.