Biodiversidade é tema de exposição do Muzar na Expodireto
Com olhares curiosos e questionamentos que despertam o conhecimento, os visitantes da Expodireto Cotrijal encontram no estande da Universidade de Passo Fundo (UPF) a fauna e a flora em um formato diferente: por meio dos serviços ecossistêmicos que a natureza disponibiliza ao ser humano.
A exposição “Biodiversidade: preservação do ser humano”, organizada pelo Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (Muzar) especialmente para a feira, celebra os 40 anos do Museu, juntamente com os 45 anos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), ao qual é vinculado.
Conforme a bióloga Flávia Biondo da Silva, na exposição, foi trabalhada a interdependência que existe entre o ser humano e a natureza. “A exposição mostra quão dependente somos das relações que ocorrem na natureza, com o recorte aos serviços ecossistêmicos, o que a natureza produz e o que utilizamos”, comenta ela.
Dentro dos serviços ecossistêmicos, está contemplado o fornecimento de água e a purificação do ar, a reciclagem natural de resíduos, a formação do solo, a polinização e os mecanismos de regulação da natureza.
Fauna
No que tange à fauna, a exposição retrata a polinização, que é importante para a agricultura. “A maioria dos frutos e cereais que chegam às nossas mesas dependem da polinização dos insetos”, aponta. A exposição também mostra o controle biológico realizado naturalmente pela natureza, com destaque para a joaninha, que se alimenta de pulgões.
Flávia destaca que, embora por muitas vezes isso não ganhe a atenção devida, há uma grande importância na relação da cadeia alimentar, principalmente no que diz respeito aos predadores – os grandes mamíferos e as aves, como gaviões e corujas –, que são controladores de grandes populações que se desenvolvem. “Hoje existe, de um lado, grande falta de predadores, e, de outro, disponibilidade muito grande de alimento. Alguns animais se beneficiam dessa condição e se proliferam, tornando muito difícil o controle de sua população”, observa a bióloga.
Flora
Dentro da flora, a exposição mostra plantas que vêm sendo pesquisadas, porém, pouco divulgadas pelas instituições, que são as plantas alimentícias não convencionais (Pancs). De acordo com Flávia, há um estudo recente sobre essas plantas, que concentram grandes quantidades de nutrientes, mas não são desenvolvidas em grande escala. “Essas espécies estão disponíveis nos ambientes, grande parte são nativas da região e outras são exóticas, que vieram e se adaptaram ao espaço”, comenta.
Segundo ela, essas plantas nascem muitas vezes espontaneamente nos barrancos, estradas e beiras de mata, mas as pessoas não têm conhecimento de que podem ser aproveitadas na alimentação.
“As Pancs estão sendo estudadas e usadas em outros países em maior escala. O grão do Amaranthus ou caruru, por exemplo, que é uma planta muito conhecida, é comumente encontrado em casa de cereais e tanto o grão quanto a folha são usados na chamada ração humana, usada pelos programas de governo para combater a desnutrição. Ou seja, trata-se de uma planta super comum, que tem alto índice nutricional e pode ser utilizada em pães e bolos”, constata. Na exposição, há amostras de Pancs alimentícias, medicinais e outras utilizadas na ornamentação e no ajardinamento.
Exposição
A exposição “Biodiversidade: preservação do ser humano” pode ser conferida no estande da UPF na Expodireto Cotrijal. A feira encerra nesta sexta-feira, dia 13 de março.