Uirapuru Ecologia: presença de animais silvestres no ambiente urbano preocupa
Encontros de animais silvestres em áreas urbanas estão cada vez mais comuns. Frequentemente a Uirapuru recebe mensagens de ouvintes trazendo estes relatos e pedindo orientações sobre como proceder. A UPF é uma das entidades que recebe estes animais e os conduz para a melhor opção dentro de sua segurança e saúde. No entanto, estes encontros com animais que viviam mais escondidos, mas estão surgindo na cidade, têm crescido.
O tema foi destaque no mais recente programa Uirapuru Ecologia, realizado aos sábados na Uirapuru. Apresentado em sua última edição por Gabriel Nunes, o programa teve como convidados Michelli de Ataide, que é Médica Veterinária ; Coordenadora da Liga Selvagem e Presidente da Comissão Estadual de Animais Silvestres e exóticos, além de membro da Comissão Nacional de Animais Silvestres. Também participou Luiz Otávio Freddo, acadêmico de Medicina Veterinária e membro fundador da Liga Selvagem Passo Fundo.
Michele explicou que animais silvestres independem da presença humana e não são domesticados. Os exóticos também são silvestres, porém na maioria não habitaria normalmente a região. Usou como exemplo o javali, que é exótico, mas chegou por meios humanos. Existem ainda os exóticos locais, como o papagaio. Destacou que hoje há questões legais que permitem as pessoas terem um papagaio ou uma arara, mas a aquisição deve ser através de um criador legal e credenciado. O comprador precisará ter também um espaço grande para que este animal exerça suas atividades, dando alimentos certos e cuidados. Este ponto muitas vezes não é conhecido pelas pessoas.
Pensando na questão urbana, disse que o lixo também é um atrativo e facilita animais a procurarem alimento ali e não na natureza. A recomendação é não se aproximar dos animais, não capturar e sempre acionar autoridades especializadas para remoção, se necessário. Disse ainda que o amparo legal é sempre importante para evitar maus tratos e citou a atuação da promotoria de Passo Fundo como muito importante em questão deste gênero. Passo Fundo também tem policiamento específico para o meio ambiente, o que deixa a região melhor preparada. No entanto, no aspecto nacional isso faz falta para legislações melhores elaboradas.
Luiz Otávio Freddo disse que os impactos da presença dos animais silvestres perto dos humanos são sempre negativos para as espécies. Explicou que o avanço humano força estes animais a saírem de seus locais típicos. Um clássico exemplo é o desmatamento ou a redução da alimentação através da ação humana.
Ao trazer conflito com a fauna o ser humano também perde, com danos nas lavouras, por exemplo. Muitos animais, sem opção, atacam lavouras ou animais menores, de criação. Alertou que isso somente vai diminuir respeitando o espaço dos animais silvestres, evitando assim que migrem para ambientes humanos.