Skip to content

Meio Ambiente

Crescente invasão do homem em espaços naturais torna frequente a presença de animais silvestres no meio urbano

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

No último final de semana, o Corpo de Bombeiros de Passo Fundo foi acionado para atender situações inusitadas envolvendo animais silvestres em locais urbanos. Um desses casos chamou a atenção, pois um ouriço encontrou seu caminho até o interior de uma agência bancária da São Cristóvão. Esses incidentes surpreendentes são cada vez mais frequentes e especialistas apontam para a crescente invasão do homem nos espaços naturais dos animais como a causa.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o médico-veterinário Luiz Pedrotti, responsável pela área silvestre da Universidade de Passo Fundo, explicou que a adaptação de animais silvestres ao meio urbano é uma realidade em constante crescimento. Algumas espécies, como pombas, ratos e, mais recentemente, ouriços, gambás e morcegos, têm se tornado frequentes em locais inusitados. Ele explica que o ouriço, por exemplo, é um animal que se alimenta principalmente de frutas e é provável que tenha entrado na agência bancária em busca de proteção ou alimento próximo. Pedrotti explica também que, na natureza, o ouriço é uma presa, e sua única forma de defesa são os espinhos. Eles só se desprenderão quando o animal sentir um contato iminente. Portanto, a melhor abordagem é deixar o animal quieto, pois ele não representará uma ameaça, a menos que se sinta encurralado.

De acordo com o médico-veterinário, embora os animais silvestres não possam permanecer permanentemente no meio urbano, eles têm uma notável capacidade de adaptação. São oportunistas, encontrando maneiras de se proteger e se alimentar em ambientes urbanos. Terrenos mal cuidados com mato alto e restos de alimentos abandonados, por exemplo, tornam-se recursos frequentemente explorados por esses animais.

Além do ouriço, outro destaque do final de semana foi a captura de um ratão do banhado, uma espécie nativa do Rio Grande do Sul. Pedrotti afirma que a aparição desses animais em áreas urbanas deve se tornar mais comum, principalmente para aqueles que conseguem se adaptar a ambientes urbanos. Ele enfatiza a necessidade do ser humano se acostumar a essas interações e tomar precauções para evitar acidentes tanto para as pessoas quanto para os animais.

Diante disso, orienta que, quando alguém se deparar com um animal silvestre adulto, é preciso permitir que ele encontre o caminho de volta à natureza, pois geralmente sairá da mesma forma que chegou. No entanto, quando se deparar com um filhote de animal silvestre, é importante evitar ameaçá-lo e não tentar cuidar dele por conta própria, pois isso pode ser prejudicial. Se o filhote estiver machucado, o correto é acionar os órgãos ambientais ou o Corpo de Bombeiros, que tomarão as medidas adequadas para resgatá-lo e encaminhá-lo ao Hospital Veterinário da UPF. O Hospital Veterinário da UPF, localizado no bairro São José, no Campus 1, é o local apropriado para cuidar de animais silvestres feridos. Em caso de emergência, ele pode ser contatado pelo telefone (54) 3316-8163.