Júri da Boate Kiss torna-se o maior da história do RS e ainda não tem prazo para terminar
O Júri da Boate Kiss entrou no 6º dia nesta segunda-feira (06), tornando-se o julgamento mais longo da história do Rio Grande do Sul. Foram ouvidas três testemunhas durante o sexto dia e, o juiz Orlando Faccini Neto determinou que, a partir de agora, três pessoas serão ouvidas por dia.
A Rádio Uirapuru segue acompanhando o Júri, ao vivo do Foro Central de Porto Alegre, ouvindo testemunhas, familiares e advogados envolvidos com a tragédia. Conforme a senhora Marilene Soares, mãe da Natieli Soares, uma das vítimas da Boate Kiss, ela está tentando viver um dia após o outro e utilizando de medicamentos para se manter bem emocionalmente.
A mãe acredita que mais pessoas deveria ser responsabilizadas pela tragédia, não apenas os quatro réus que estão sendo julgados. Ela revela que ao ouvir os depoimentos e acompanhar o Júri vem à tona tudo que a filha e as demais vítimas passaram naquela noite, fazendo reviver toda a dor e desespero daquela época.
A Uirapuru conversou também com o Assistente de Acusação, que representa a Associação de Vítimas da Tragédia da Boate Kiss, Dr. Pedro Barcelos. Conforme ele, as defesas dos réus alegam que os proprietários possuíam documentos de órgãos públicos permitindo o funcionamento da casa noturna e autorizando receber a quantidade de pessoas que estavam na Kiss naquela noite. Desse modo, as defesas alegam que não havia superlotação no local. Os sobreviventes e vídeos da festa, no entanto, mostram o contrário.
Para Barcelos, a superlotação foi determinante para a quantidade de mortes e feridos, pois se a capacidade de público tivesse sido respeitada, a saída da festa, no momento do incêndio, não teria sido tão tumultuada.