Segundo dia de Júri da Boate Kiss é marcado por fortes declarações dos sobreviventes
Nesta quinta-feira (02) o Júri da Boate Kiss seguiu no segundo dia com o depoimento de sobreviventes e testemunhas da tragédia. Foram ouvidos cinco sobreviventes ao longo do dia e uma testemunha arrolada pelo Ministério Público.
A Rádio Uirapuru está no Fórum Central de Porto Alegre, com o repórter Leandro Vesoloski, acompanhando o julgamento e ouvindo testemunhas, familiares, sobreviventes e advogados para contar a história do maior Júri da história do Poder Judiciário gaúcho.
De acordo com Jéssica Montardo Rosado, sobrevivente da tragédia e irmã de uma vítima, ela está tentando tocando a vida e viver da forma que consegue, com toda a dor que ela sente. Jéssica revelou que leva uma culpa junto à ela desde a noite da tragédia, por ter saído da Boate e tantas outras pessoas não ter a mesma oportunidade. A sobrevivente lembrou com carinho do irmão, que infelizmente faleceu na Boate Kiss naquela noite. O irmão retornou para o interior da casa noturna diversas vezes para auxiliar no resgate das pessoas, mas em uma dessas entradas não conseguiu voltar e faleceu dentro do local.
Conforme Jéssica, ela espera que a justiça seja feita ao longo do Júri e que o julgamento ocorra de forma tranquila, com respeito entre todas as partes, principalmente com as famílias.
A Uirapuru ouviu também a sobrevivente Kellen Ferreira, que depôs no primeiro dia de Júri e prestou um depoimento muito forte. De acordo com ela, a espera foi grande para que esse momento chegasse e foi um período de muita ansiedade, problemas psicológicos e acompanhamento médico para conviver com o trauma da tragédia. Kellen teve parte de uma perna amputada, devido aos ferimentos causados pelo incêndio. A sobrevivente relata que somente no ano passado conseguiu voltar a usar roupas curtas como shorts e vestidos, demonstrando as marcas que a tragédia deixou no seu corpo e no psicológico.