Passo Fundo vive permanente sobrecarga no sistema de saúde
Passo Fundo é um polo de saúde reconhecido nacionalmente. Além do atendimento da população local e regional, também é submetido ao processo de regulação gerenciado pelo Estado. Isso significa que recebe pacientes de outras regiões para atendimentos especializados. Além de tudo isso, outro comportamento da população tem preocupado: a vacinação contra a influenza, por exemplo, nunca foi tão baixa, alcançando 48% do público prioritário geral e só 27% de crianças. Mesmo com a ampliação da estrutura física nos últimos anos por parte do município e das instituições hospitalares, o resultado é a superlotação das emergências o ano todo e o colapso em momentos em que as síndromes respiratórias são mais frequentes.
O Hospital São Vicente de Paulo, por exemplo, atingiu o pico de 150% da sua capacidade; o Hospital de Clínicas chegou a 215% da sua capacidade, mas tem se mantido durante o ano todo numa média de 120% e o Hospital Municipal chegou a atender em um dia 360 pessoas. O Hospital Dia da Criança vem registrando uma média de 150 crianças atendidas. O Sem Segredo de sábado fez um grande debate sobre o tema, reunindo no estúdio o município e os representantes dos maiores hospitais. O administrador do Hospital de Clínicas, Luciney Bohrer reconhece que a baixa vacinação é um dos complicadores, mas também observa que as pessoas precisam cuidar da sua saúde na totalidade, fazendo a prevenção, para evitar ter que recorrer às emergências.
Uma das preocupações levantadas é que tanto crianças como adultos chegam às emergências em estado avançado de doenças respiratórias ou muito graves. O município já registrou 7 óbitos por influenza neste ano, o mesmo número de todo o ano passado. Em 2023, foram 472 casos e até maio deste ano já são 295. Também a Covid, já matou 5 pessoas neste ano. As vítimas não fizeram vacina. A responsável técnica da emergência do São Vicente, Josiane Diehl Moia, faz um apelo para que as pessoas só busquem o serviço em casos de urgência absoluta. Ela explica como é o processo de atendimento na emergência:
A Secretária de Saúde Cristine Pilatti, além de manifestar preocupação em relação ao baixo índice de vacinação, revelou que a Secretaria e as Unidades de Saúde estão registrando aumento de atendimento. Em um dia, a secretaria fez mais de 400 atendimentos para exames. Não bastasse as síndromes respiratórias, o município tambémm convive com crescente casos de dengue, são mais de 1,8 mil e três õbitos no ano. A secretária revelou ainda o crescimento dos atendimentos entre 2019 e 2023:
O diretor do Hospital Municipal Cesar Santos, Luis Schneiders contou que a instituição tem o perfil de atender média e baixa complexidade. No entanto, também está sujeita a regulação e pode receber pacientes muito graves para o primeiro atendimento, antes de ele ser encaminhado para instituição de alta complexidade. E quando acontece isso, toda a equipe é direcionada a este atendimento, aumentando o tempo de espera de outros pacientes: