Uma base que não é mais a mesma na Câmara
Não é a primeira vez que escrevo neste espaço que a base de vereadores que dá sustentação e governabilidade ao prefeito Luciano Azevedo não é mais a mesma. O clima na Câmara de Vereadores também não. Digo isso pois acompanho a rotina do Legislativo há mais de um ano e meio e alguns apontamentos dão sentindo para esta constatação.
Primeiro, contextualizo. Depois do “marco zero” desta mudança, em 29 de abril, quando a Câmara aprovou a atualização da Planta de Valores do IPTU, uma sequência de pautas espinhosas começou a chegar ao Legislativo, colocando os vereadores em uma espécie de sinuca de bico.
A repercussão do IPTU ainda é motivo de dor de cabeça para os parlamentares, já que a população não poupa críticas, mesmo três meses depois da aprovação. O assunto não esfriou entre os eleitores, sobretudo.
Os efeitos disso foram sentidos na semana passada, quando outro projeto de cunho fiscal encaminhado pela Prefeitura – que tornaria mais rígida a cobrança da dívida dos 12 mil contribuintes que devem cerca de R$ 80 milhões para o Executivo – foi derrubado ainda nas comissões, após uma exitosa articulação da oposição. Foi a primeira derrota do governo neste ano, mesmo com ampla maioria.
Nessa segunda-feira (15), outra demonstração de que alguns integrantes da base estão descontentes com as decisões do Executivo chamou a atenção. O vereador Luiz Miguel Scheis (PDT) realizou seu Grande Expediente sobre a saída da Codepas do transporte coletivo e movimentou os colegas para convidar o prefeito Luciano explicar a decisão. A ideia teve manifestações de apoio de quase todos os integrantes da base, que claramente se posicionaram de forma favorável a proposta da oposição.
Os interlocutores do governo garantem que, partidariamente, os compromissos das legendas com Luciano está inalterado e mantido. No entanto, reconhecem que o Governo está “errando” o timing no encaminhamento dos projetos. Isso porque a questão do IPTU é muito recente e em ano pré-eleitoral, os parlamentares já pensam em 2020 e não querem dissolver a popularidade.
Segundo fontes próximas ao dia a dia da prefeitura, estes projetos deveriam ter vindo para a Câmara no primeiro ano após a reeleição de Luciano, em que a base estava muito mais sólida, a popularidade do prefeito em alta e com o aval quase que unânime das urnas.
Dos 21 vereadores, 16 fazem parte da base. 3 são da oposição e 2 mantém a independência. Mas diante de pautas polêmicas, esses números não significam muita coisa.
A conclusão é de que se o governo aguardou até aqui para aprovar projetos “amargos”, terá uma certa dificuldade com a Câmara. Nesse contexto, ter a maioria já não significa vitória. Mas é claro que Luciano sabe disso.