Eletricistas estão sem sindicato em Passo Fundo e situação impede dissídio e busca pelo direito coletivo
Na manhã de ontem (13) alguns ouvintes estavam reclamando durante a programação do Repórter do Povo sobre o fim do Sindicato dos Eletricistas de Passo Fundo.
Em entrevista na Uirapuru, o último presidente do sindicato, Luis Carlos Charão, informou que o tempo de mandato expirou, ainda em fevereiro de 2017, e os trabalhadores foram procurados na época para montar uma chapa única. A chapa de 12 pessoas foi montada, mas dois trabalhadores desistiram de concorrer e o número mínimo de componentes não foi alcançado.
Charão explicou que para homologar convenções coletivas é necessário que a categoria tenha um sindicato que a represente e, por isso, os eletricistas da cidade estão prejudicados e desprotegidos sem essa representatividade. Segundo ele, quando o trabalhador desconhece os seus direitos, as empresas acabam se aproveitando. Ações junto ao Ministério Público e Ministério do Trabalho também não podem ser movidas sem um sindicato.
Em relação a negociação de aumento salarial, Luis Carlos afirmou que a reforma trabalhista permitiu que sejam feitos acordos individuais entre empregado e empregador, sem a necessidade de intervenção do sindicado. Charão contou que uma empresa da cidade está cobrando para ele interferir na negociação com os trabalhadores, porém ele não tem mais essa autonomia.
Para Charão, o grande empecilho para que os trabalhadores não se interessem em participar de movimentos sindicais é a pressão dos empregadores, ameaçando inclusive de demitir quem participa desses movimentos. O ex-presidente afirmou que ainda é possível registrar uma diretoria junto ao cartório de registro e reabrir o Sindicato dos Eletricistas em Passo Fundo.