De forma inédita em Passo Fundo, funcionários da Havan protestam contra sindicato da categoria
Nesta quinta-feira (13) um grupo de trabalhadores foi às ruas protestar para a renovação da convenção coletiva que prevê benefícios com trabalho nos domingos e feriados. A manifestação ocorreu em frente ao Sindicato dos Comerciários, na rua Morom, Centro, com a presença de 40 trabalhadores da Rede Havan de Passo Fundo. O fato foi inédito porque os trabalhadores se posicionaram contra a própria entidade que os representa.
Em julho de 2018, um acordo sindical, com duas partes, flexibilizou a abertura do comércio e varejo. Possibilitou que os lojistas pudesse abrir os seus negócios na maioria dos feriados, fechando apenas no Ano Novo, Dia do Trabalhador, Páscoa e Natal. Essa medida viabilizou a instalação da Rede Havan na cidade. Para abrir em mais dias, as empresas, a exemplo da Havan, tiveram que se comprometer em pagar salários de R$ 1.450, vale-alimentação de R$ 364 por mês, entre outros benefícios. Aquelas que preferissem puderam continuar com o sistema antigo, com piso salarial de R$ 1.270 e fechamento nos feriados.
Esse acordo teve validade até o dia 31 de março e na semana passada o Sindicato dos Comerciários colocou em votação um único acordo para todo o setor, excluindo aquele praticado pela Havan. A proposta foi aprovada e começará a valer. A funcionária da rede de varejo, Marines Ribeiro, contou que são 153 famílias que dependem da da convenção coletiva do ano passado. Disse que todos estão apreensivos com a situação, já que hoje recebem um piso salarial maior do que os demais empregados do comércio.
Ao vivo na Uirapuru, o presidente do Sindicato dos Comerciários, Tarciel Silva, explicou que a convenção coletiva, única para todos, é legítima porque foi aprovada em assembleia. A reunião aconteceu na quinta-feira (06) com a presença de mais de 100 pessoas, inclusive de funcionários da Havan. Frisou que desde abril todos estavam sendo convocados para participar.
Na Uirapuru, o advogado da Havan, José Mello de Freitas, informou que a nova convenção coletiva obriga a empresa a suspender as vantagens que, até então, eram oferecidas aos funcionários, como o vale-alimentação, R$ 14 por dia trabalhado, participação nos lucros, pagamento de 100 de horas trabalhadas em domingos e feriados, folga no final de semana e hora extra de 60%. Contou que a Havan comunicou aos seus empregados que não tem condições de manter esses benefícios, já que também não terá vantagens.
O presidente do Sindilojas, que representa as empresas, Jefferson Kura informou à Uirapuru que desde a última sexta-feira (07) tenta uma reunião com o Sindicato dos Comerciários. Afirmou que o Sindilojas está se movimentando para reverter a convenção coletiva recém-aprovada.