PSL gaúcho afirma trabalhar para “atingir maturidade política” e descarta existência de pré-candidaturas para 2020
É fato que antes das eleições de 2018, o Partido Social Liberal (PSL) sequer existia no cenário político municipal, estadual e nacional. Mas na história da legenda, um divisor de águas chamado Jair Messias Bolsonaro deu visibilidade à agremiação, defensora ferrenha de pautas ligadas a segurança pública, patriotismo e usuária assídua das redes sociais. Na Câmara, detém a segunda maior bancada de deputados federais. Aqui no Estado, elegeu logo de cara quatro deputados, entre eles, o mais votado do RS, Tenente Coronel Zucco.
Mas a expansão exponencial também trouxe o ônus. Internamente, o PSL enfrenta atritos, disputas e desgastes. Aqui no Rio Grande do Sul, em maio deste ano, o até então presidente Zucco renunciou ao cargo após a divulgação de um áudio em que o deputado federal Bibo Nunes fez severas críticas a correligionários. Dias depois, o deputado Nereu Crispim foi anunciado como o novo presidente do PSL gaúcho.
Ao cumprir agenda em Passo Fundo nesta sexta-feira (07), o parlamentar concedeu entrevista ao programa Vai que é Tua da Rádio Uirapuru. Questionado a respeito das estratégias do PSL para o ano que vem, Zucco ponderou que a legenda não teve tempo de ter uma maturidade política adequada. “A gente, hoje, faz parte de um partido que antes não tinha nem vereador e agora temos uma bancada de quatro deputados federais gaúchos e quatro deputados estaduais. Ano que vem nós pretendemos fazer uma seleção para que haja integrantes e possíveis candidatos a vereadores e a prefeitura para que possamos ter políticos com o viés do partido”, declarou.
Zucco descartou que atualmente exista um nome passo-fundense para concorrer à prefeitura pela legenda. A palavra de ordem de agora é diálogo. “Estamos conversando com alguns pretendentes, mas até agora não temos nada definido ainda, nenhum nome a ser lançado”, explicou.
Sobre os atritos ocorridos no comando nacional do PSL, Zucco disparou que “não tem amores a bandeiras e a partidos”, pois em duas décadas de carreira militar sempre se manteve apolítico. “Se fosse bom, não seria ‘partido’ e sim ‘unido’, né?”, brincou o parlamentar. Esclareceu que o PSL não deve se ater a disputas e sim, pensar em diálogo e seguir a construção estrutural da sigla.
Finalizou com um recado claro aos personagens das polêmicas internas do PSL. “Não é uma pessoa sozinha que vai tocar o partido e sim uma equipe. Temos um norte, que é o estatuto do PSL e estamos construindo, a partir de ideias, os projetos para que o partido para se consolidar como grande no Estado”.
Zucco mostra racionalidade ao não especular sobre possíveis candidaturas passo-fundenses pela legenda – o que deveria servir de exemplo aos demais. Se o PSL ainda necessita aparar algumas arestas na cúpula nacional e estadual, é vital para a sobrevivência do partido se organizar no alto escalão para só depois pensar nas bases municipais. Afinal, grande parte do “efeito Bolsonaro” terá passado quando os brasileiros voltarem às urnas em outubro de 2020.