Sem Segredo: maioria dos ouvintes acha que para melhorar rodovias é preciso instalar pedágios com preços justos
O governo do Rio Grande do Sul anunciou na última segunda-feira (25) o programa RS Parcerias, que consiste na concessão e parcerias público-privadas (PPPs) para rodovias e empreendimentos. Entre as estradas que serão repassados à iniciativa privada está a ERS-324, no trecho que liga Passo Fundo à Nova Prata. Ao todo serão duplicados 115 quilômetros, com investimento de R$ 1 bilhão e 100 milhões.
O que preocupa os motoristas da região é que o programa prevê duas praças de pedágio e a tarifa máxima estimada é de R$ 9,64. Umas delas será instalada dentro dos limites de Passo Fundo e terá cobrança em ambos os sentidos. A outra praça ficará em Nova Bassano, nos mesmos moldes. O governo estadual disponibilizou em seu site (www.estado.rs.gov.br) o projeto para consulta pública. Pelo período de 30 dias a população poderá fazer sugestões à proposta de melhorias da rodovia. Já o edital de concessão deverá ser lançado somente no segundo semestre deste ano.
Por isso, o Sem Segredo deste sábado (30) perguntou se para duplicar e melhorar as rodovias é preciso instalar pedágios, a que preço ou se existe outra solução. No estúdio, participaram do programa o presidente da Comissão Pró BR-153 – Transbrasiliana, José Carlos Carles de Souza, o empresário Isonir Canali, e, por telefone, o deputado estadual Vilmar Zanchin (MDB) e o prefeito de Marau, Yura Kutz.
A maioria dos ouvintes acha que para duplicar e melhorar rodovias é preciso instalar pedágios com preços justos. Muitos se mostraram favoráveis aos pedágios, devido a uma necessidade do Estado. Porém, os preços exorbitantes apontados para os projetos assustaram a maioria dos ouvintes, que consideram R$ 9,64 muito alto.
O presidente da Comissão Pró BR-153 – Transbrasiliana e ex-reitor da UPF, José Carlos Carles de Souza, declarou que repassar estradas para a iniciativa privada e duplicá-las eram reivindicações antigas da sociedade, mas frisou que não adianta esperar apenas que o Estado resolva a questão. Segundo o presidente, será difícil o setor público definir um projeto adequado e executá-lo sem recursos, algo que é notório no Rio Grande do Sul há muitos anos.
Para o empresário Isonir Canali, que acompanha o assunto há muito tempo, as obras só sairão do papel se os responsáveis forem objetivos e pragmáticos. Afirmou que é preciso parar de acreditar que o governo do Estado realizará a duplicação da rodovia, já que não tem dinheiro em caixa para isso. Segundo o empresário, é preciso que a iniciativa privada assuma todas as responsabilidades e faça um alinhamento que traga frutos rápidos. Canali ressaltou, representando a Fetransul, onde é vice-presidente, que só aceitarão pedágios em rodovias duplicadas, caso contrário, lutarão com todas as forças contra.
Para o deputado estadual Vilmar Zanchin (MDB), o valor da proposta da concessão é excessivo. Ele acredita que não é possível comportar 7 mil veículos por dia sem duplicar o trecho entre Passo Fundo e Marau, no entanto, disse que não é preciso duplicar todos os 115 km propostos. O deputado afirmou que se o projeto de duplicação atingisse apenas o trecho Passo Fundo e Marau, o teto do valor seria muito menor. Segundo ele, o governo do RS tem a obrigação de realizar uma audiência pública onde este seja o assunto em questão. De acordo com Zanchin, na Assembleia já foi aprovado um requerimento para discutir se é preciso duplicar todos os 115 km.
Falando sobre as preocupações e o impacto do assunto para Marau, o prefeito do município, Yura Kutz, disse que está bastante claro que a população marauense é a favor da duplicação, principalmente no trecho de Casca a Passo Fundo. Segundo ele, o que precisa ser amplamente discutido é como colocar em prática os pedágios e se essa é a única alternativa. Kurtz afirmou que todos na cidade aguardam ansiosamente para ter acesso ao projeto o mais rápido possível e obter mais elementos que possam conduzir discussões sobre a duplicação e os pedágios.