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País

Historiador afirma que comemorações ao início do regime militar não devem ter adesão significativa

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O presidente Jair Bolsonaro aprovou a mensagem que será lida em quartéis e guarnições militares no próximo dia 31 de março, em alusão à mesma data no ano 1964, dia da tomada de poder pelos militares, com a derrubada do então presidente João Goulart e a instalação de um regime controlado pelas Forças Armadas, que perdurou por 21 anos (1964-1985) no país. A informação de que Bolsonaro já havia determinado ao Ministério da Defesa que fizesse as “comemorações devidas com relação ao 31 de março de 1964” foi divulgada na segunda-feira (25) pelo porta-voz da presidência.

Em entrevista na Uirapuru, o jornalista e historiador Maurício Paim afirmou que a questão é muito discutida e depende muito do posicionamento político de cada um para classificar como golpe ou não. Paim disse que ele, como professor de história, pode garantir que de ato democrático, o regime não teve nada, apesar de o atual governo defender essa ideia. A grande questão a ser entendida é que na década de 1960 era vivido um dos momentos mais fortes da guerra fria, onde o mundo estava dividido entre bloco socialista e capitalista e o Brasil apoiava o capitalismo. Nesse contexto, começa a surgir o temor de que um golpe comunista fosse aplicado no país e isso foi utilizado como justificativa para que os militares tomassem o poder, com o intuito de evitar que a esquerda estabelecesse um regime.

Em relação a mensagem que o presidente Bolsonaro aprovou para ser lida em todo o país, o historiador explicou que a data já era celebrada dentro dos quartéis do exército até 2011, quando a ex-presidente Dilma Rousseff retirou a celebração do calendário oficial. Então, o presidente só está restabelecendo a celebração que já existia. Bolsonaro deixou claro que as comemorações não podem sair de dentro dos quartéis, inclusive com uma preocupação de o ato não pegar bem atrapalhando até mesmo a aprovação da reforma da Previdência.

Paim disse que a comemoração, embora tenha ganhado destaque, não deve ter muita adesão, uma vez que os próprios comandantes das forças armadas estão cautelosos.