Caso Bernardo: na Uirapuru advogado de defesa da madrasta afirma que besteiras foram ditas sem pensar e cliente é inocente
Ontem (12) aconteceu o segundo dia de julgamento do caso Bernardo em Três Passos. A repórter Cissa Battistella e o jurista Jabs Paim Bandeira estão na cidade acompanhando todo o desenrolar do Júri. No segundo dia, mais três testemunhas de acusação foram ouvidas, Jussara Petri, que acolhia Bernardo na sua casa e explanou como o garoto se comportava e qual era o tratamento que ele recebia da família, a psicóloga Ariane Schmitt, que atendia o menino e falou sobre o comportamento dele e da relação com o pai.
Foi ouvida também a ex-secretária de Leandro, Andressa Vagner, que falou tanto para acusação como pra defesa, e lembrou de quando trabalhava no consultório do médico. Outras testemunhas de acusação também deram suas versões sobre o caso. Durante os intervalos dos testemunhos, a repórter Cissa Battistella conversou com duas partes envolvidas no julgamento. O advogado Jean Severo, que defende a ré Edelvânia Wirganovicz, explicou, em entrevista exclusiva, que a tese de defesa é simples. A defesa afirma que Edelvânia apenas tem culpa na ocultação de cadáver e quer absolvição do homicídio.
Segundo o jurista, a cliente não participou da morte de Bernardo. Severo classificou o inquérito como ridículo, disse que as delegadas forçaram a Edelvânia confessar o crime para chegar no pai e na madrasta e não proporcionaram para ela a presença de um advogado no momento do depoimento, o que mostrou um despreparo, na opinião dele.
Falando também na Uirapuru, o advogado Vanderlei Pompeu de Mattos, que defende a madrasta Graciele Ugulini, explicou que quando foi procurado por Graciele, em abril de 2014, não imaginava que o caso ia ter tamanha repercussão. Segundo ele, Graciele sustenta que na ida para Frederico Westphalen ela medicou Bernardo com a dosagem errada, mas sem a intenção de matá-lo.
O advogado disse que precisa sempre acreditar na cliente e achar nos autos do processo brechas para defendê-la. O jurista criticou a atenção dada ao processo pela Justiça.Falou que são dezenas de investigadores e promotores renomados que estão cuidando do caso, mas ele sequer teve acesso às 9 mil páginas de inquérito. Questionado sobre as declarações feitas por Graciele dizendo que iria “dar um fim no menino”, Pompeu minimizou falando que “não raras vezes as pessoas falam asneiras com um familiar ou com um amigo”.
O advogado defendeu que o crime não foi premeditado e disse que mesmo com todo o aparato pericial, a versão sustentada pela acusação não é comprovada em seu total.