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Saúde

Superando o câncer de mama

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Um “carocinho”, um desconforto, uma dor. Foi fazendo o autoexame que Waleska Santana, hoje com 37 anos, descobriu, em 2012, um pequeno nódulo em uma das mamas. Um ato simples, fácil, e que, aliado ao exame clínico e a mamografia, pode salvar vidas. Dia 19 de outubro é o Dia Mundial do Câncer de Mama, data escolhida para conscientização sobre a importância desta doença. Além disso, outubro é o mês das campanhas Outubro Rosa, que têm o mesmo objetivo.

 

A bancária Waleska Santana descobriu o nódulo em um dos seios em 2012, mas até receber o diagnóstico de câncer de mama, levou quase dois anos. “Fiz o acompanhamento com a ginecologista, todos os exames recomendados, e no final de 2012, o carocinho diminuiu de tamanho. A princípio não era nada grave. Em 2013, senti que ele voltou. Estava maior e dolorido. Fui encaminhada para uma mastologista, fiz todos os exames, mas não acusou nada de grave novamente, mas como estava incomodando, a médica resolveu retirar o nódulo e fazer a biópsia”, contou Waleska.

 

O resultado da biópsia apontou o câncer de mama. “A biópsia apontou um tumor maligno carcinoma intraductal. Pelo tipo de câncer foi indicado a mastectomia total da mama. Retirei a mama em 2014. Do dia do diagnóstico de câncer pela biópsia até a cirurgia foi um mês. Um mês de preocupação. Em alguns momentos pensei: Por que comigo? Mas eu sempre mantive o pensamento positivo”, revelou a bancária.

 

A luta contra o câncer de mama trouxe lições importantes para a vida de Waleska, que está engajada na campanha Outubro Rosa desse ano, levando mensagem de superação para outras mulheres que enfrentam ou enfrentaram a doença. “Para as mulheres que estão passando ou passaram por isso eu digo acima de tudo que se ame. Eu acho que é um choque grande, principalmente quando tem que fazer a mastectomia total. Um pedaço do teu corpo deixa de existir, mas mais importante que esse pedaço é o que estará na sua mente. Fé e pensamento positivo são essenciais. O que a gente pensa reflete no corpo”, declara Waleska.

 

A bancária ressalta ainda que o diagnóstico precoce por meio do autoexame foi essencial para a cura do câncer de mama. “Eu tive a sorte de ter o diagnóstico em fase inicial do câncer. A retirada do nódulo e a mastectomia evitaram que eu tivesse que fazer um tratamento mais agressivo como a quimioterapia e a radioterapia. Nos dois primeiros anos fazia acompanhamento a cada seis meses com a oncologista, exames de sangue e mamografia, por exemplo. Agora faço acompanhamento uma vez por ano e tratamento com medicamento para evitar ter na outra mama”, salienta Waleska.

 

Mais de cem novos casos por ano em Passo Fundo

Os números referentes à doença revelam a importância do câncer de mama. São cerca de 1,7 milhão de novos diagnósticos a cada ano no mundo, quase 60 mil no Brasil e mais de 5 mil no Rio Grande do Sul. O câncer de mama é responsável por mais de 500 mil mortes por ano no mundo, quase 16 mil no Brasil e mais de 1,2 mil mortes no Estado. Na região Norte, quase 350 pessoas morreram em decorrência desse câncer entre 2013 e 2015, ou seja, mais de 110 mortes por ano. Só em Passo Fundo, nesse mesmo período foram quase 80 mortes, conforme dados do DataSus. A Capital do Planalto Médio registra 100 novos casos da doença por ano.

 

Para o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN) de Passo Fundo e diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Alvaro Machado, o câncer de mama é um problema grandioso, bem como os custos do tratamento: custos social, familiar e financeiro. “A informação sobre o câncer de mama é fundamental para enfrentarmos a doença. Sabemos que obesidade, sedentarismo, tabaco, álcool e má alimentação são importantes fatores de risco modificáveis e responsáveis por 20 a 25% dos casos. Hábitos saudáveis de vida são pilares na prevenção e combate ao câncer de mama. Estamos falando em evitar mais que 10 mil casos por ano no Brasil”, comenta o oncologista clínico.

 

Mamografia e a evolução no tratamento da doença

A mamografia é um dos elementos centrais no combate ao câncer de mama. “Este exame simples, rápido, largamente acessível e com mínimo desconforto, é responsável por reduzir o risco de morte pelo câncer de mama em torno de 20%. A recomendação mais aceita pelos especialistas é que todas as mulheres realizem a mamografia anualmente a partir dos 40 anos. Isto salva vidas e economiza centenas de milhões de reais em tratamentos de alto custo”, ressalta Machado.

 

A evolução do tratamento reduziu drasticamente a mortalidade pelo câncer de mama. De acordo com o oncologista, o aprimoramento das técnicas cirúrgicas permite tratamentos eficazes e resultados estéticos muito bons, diminuindo sequelas na autoimagem e sexualidade feminina. “Novas tecnologias e técnicas de radioterapia com tratamentos mais curtos mantém a eficácia e reduzem os paraefeitos. A classificação mais precisa dos subtipos de câncer de mama e novos medicamentos trazem a possibilidade de tratamentos mais personalizados, melhorando os resultados e reduzindo toxicidade.  Num futuro próximo estaremos diagnosticando precocemente o câncer de mama num simples exame de sangue. Mas até lá, a mamografia anual precisa ser feita a partir dos 40 anos”, revela o oncologista.

 

Outubro Rosa

O Outubro Rosa é voltado para o combate ao câncer de mama. Em Passo Fundo, há cinco anos, o Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), a Clínica Kozma e a JR Comércio de Cimento, com o apoio de diversas outras instituições, realizam, especialmente no mês de outubro, diversas ações voltadas à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. A entidade beneficiada é a Liga Feminina de Combate ao Câncer. Confira a programação das ações e atividades no Espaço Rosa do Bella Città Shopping no site do CTCAN.