Exclusivo na Uirapuru, delegado federal afastado rebate acusações e diz ser vítima de vingança
O delegado Mário Luis Vieira, que foi afastado de suas funções na Polícia Federal depois de deflagrada a Operação Dois Campos que cumpriu nove mandados de busca expedidos pela Justiça Federal (MPF), esteve nos estúdios da Rádio Uirapuru onde apresentou argumentos que rebatem as acusações de corrupção. A acusação é de que Vieira teria obtido vantagem pessoal com doações feitas à Maanaim, espaço terapêutico que realiza tratamento de dependentes químicos.
De acordo com o delegado, ele vem sendo vítima de perseguição por parte dos procuradores do Ministério Público Federal Ricardo Gralha e Fernanda Alves de Oliveira. “Todo aquele que é investigado e procura subterfúgios, pode dizer ‘vou pegar uma prerrogativa de foro’, ou ‘fale com o meu advogado’. Quem faz isso tem culpa ou tem medo. Não tenho culpa, muito menos meio. Desafio a quem quer que seja, que esteja me ouvindo, especialmente o MPF que é o nosso órgão fiscalizador e que está extrapolando das funções em todo o Brasil, que acha que não há investigação sobre seus atos”, disse.
Vieira também afirmou que além do prejuízo para a carreira, a investigação e a decisão do afastamento também gera uma situação de risco à sua integridade física. “Hoje nós temos um delegado federal que prendeu vários criminosos perigosos desarmado, sem carteira de polícia. Esse delegado pode ser morto facilmente sob responsabilidade de autoridades irresponsáveis que levaram a uma decisão judicial equivocada e extravagante. Meu filho ficou sabendo pelos amiguinhos que eu sou supostamente corrupto. Quero saber como serei indenizado dessa pecha que os procuradores me deixaram. Parabéns pra vocês que foram usados pelo mal”, declarou ele ao informar que teve retirada a arma e a carteira de identificação como policial.
Embates com o MPF podem ser o motivo de represálias
Para Vieira, os dois procuradores da República estariam buscando notoriedade com a operação. “Gostaria que eles dessem uma explicação, não ficassem escondidos como estão acostumados. Certamente a população de Passo Fundo não conhece essas autoridades. Mas e por que não conhecem? São daquelas pessoas que batem e escondem a mão. Quero que vocês digam por que o delegado Mário é corrupto”.
O delegado também citou outras pessoas que foram mencionadas pela investigação e que também deverão ser ouvidas pelas autoridades. “Seu Pedro Brair da São João, o senhor é uma pessoa fantástica. Não deixe de colaborar com instituições. O senhor dá R$ 1500 por mês mais um rancho. Obrigado Telmo Techio. Ele dá aquelas pedrinhas para calçar o acesso a dependentes químicos cadeirantes. Dizem que através dessas colaborações, o delegado Mário era corrupto. Uma vez eu presidi um inquérito contra o Pedro Brair sobre uma farmacêutica irregular em Flores da Cunha. Eu entendi que um homem com 500 farmácias não tem como saber sobre o horário de uma farmacêutica”, contou.
A acusação seria de que Vieira estaria utilizando o dinheiro recebido de doações como as citadas acima para custear despesas pessoais. “Usaram a Maanaim que é uma obra espiritual, uma obra de Jesus. Quero deixar claro que não tenho nada contra essas pessoas, eu perdoo porque elas só são ignorantes. O espírito deles é muito pequeno” declarou.
Também segundo Vieira, um dos motivos para a retaliação foi a entrega do inquérito da Operação Carmelina, que investigava os crimes cometidos pelo advogado Maurício Dal Agnol, acusado de lesar milhares de pessoas à Justiça Estadual ao invés de remeter o documento à Justiça Federal. “Não tinha um procurador com colhão para prender o Maurício Dal Agnol. Tive de me valer do Dr. Álvaro Poglia e o Dr. Marcelo Pires que são pessoas corajosas e aceitaram investigar. Não sei por que ele não está preso, milhares de pessoas vão ser indenizadas. Anderson Salomão também, lograva metade da cidade. Fiz isso por causa do clamor público, não me atenho à atribuição, polícia pode fazer e pode ser validado, posso fazer um inquérito no Estado. Vou ter que ensinar Direito Penal pra vocês, dois?”, questionou referindo-se aos procuradores da República.
Em relação à procuradora Fernanda Alves de Oliveira, Vieira também se sente perseguido pela magistrada. “A Fernanda está a mais de dez anos aqui, ela nunca apareceu, nunca teve um destaque. Só acho que vocês (procuradores) foram muito covardes.”.
Para delegado, afastamento é uma medida muito rígida
O delegado também afirma que a investigação poderia se desenrolar sem a necessidade de afastamento. “A corregedoria da Polícia Federal é extremamente rigorosa. Quero deixar claro também que os trabalhos que eu fiz incomodaram muita gente. A minha conta bancária está negativa, o colégio do meu filho está atrasado, não sei nem como vou fazer pra pagar”, declarou.
A partir de agora, o caso deverá ser remetido à corregedoria da Polícia Federal. O delegado ainda pode tentar reverter judicialmente o afastamento, mas acha pouco provável que a corregedoria o mantenha trabalhando normalmente já que deverá passar por um processo disciplinar. “Entendo que foi um equívoco, vou tentar voltar por decisão judicial. Esse afastamento pode durar muito tempo. Afastaram o Celso (outro delegado) e agora a mim. Será que esses procuradores não estão exagerando em alguma coisa aqui em Passo Fundo? “,
Vieira finalizou a entrevista reafirmando sua inocência. “Não vou me esconder, não vou alegar prerrogativa nenhuma. Estou à disposição da Justiça. Qualquer decisão judicial será cumprida. Esta decisão de me proibir de entrar na delegacia é um equívoco, mas é um erro ao qual o juiz foi induzido pelas inverdades do Ministério Público”, avaliou o delegado.
Sobre a situação da Maanaim, Vieira declarou: “Tenho pouco mais de 20 internos no momento. Caso eu não consiga continuar com, a casa gostaria que o Dr. Gralha e a Dra. Fernanda visitassem a Maanaim e levassem esses dependentes químicos para a casa deles. Ou que o MPF disponibilizasse um local para tratamento dessas pessoas. Já cuidei de mais de 4,5 mil dependentes químicos, de quantos os procuradores já cuidaram? Tenho a maior honra disso”.