Gêmeas siamesas separadas em cirurgia vão para casa depois de passar um ano no hospital
Na tarde de ontem, as gêmeas Kerolyn e Kauany, que nasceram unidas pelo abdômen, receberam alta do Hospital São Vicente de Paulo, após ficarem um ano internadas. Agora, as pequenas, que ainda não tinham tido a chance de ver o sol e sentir o vento, estão em casa, na cidade de Marau, no convívio da mãe, Adriana Ribeiro, 31 anos; do pai Juliano do Amaral e Silva, 23 anos; e das irmãs Thauany, de dois anos e meio, e Kemly, 09 anos.
A mãe contou à Uirapuru que ao descobrir que estava grávida de gêmeas siamesas, começou a pesquisar sobre o assunto, porém as informações não eram animadoras, pois geralmente nesses um dos bebês acabava morrendo após cirurgia de separação.
Assim que as meninas nasceram, no dia 30 de janeiro de 2012, no Hospital São Vicente, começou o período de preparação para a cirurgia, que aconteceu em outubro do ano passado. Adriana contou que entregou a vida das pequenas nas mãos do cirurgião pediátrico Gustavo Pileggi Castro.
A cirurgia de separação das meninas durou nove horas. Ela conta que rezou muito para não perder nenhuma das filhas.
A Técnica de enfermagem, Marelize Woivoda, que acompanhou o dia-a-dia das gêmeas, ao se despedir das pequenas não escondeu a saudade que irá sentir.
Médico responsável pela cirurgia comemora
A complexa cirurgia de separação do abdômen e de órgãos das gêmeas é um caso raro na medicina e no país, sendo realizado pela primeira vez em Passo Fundo. O procedimento, que durou nove horas, foi executado por uma grande equipe médica, encabeçada pelo cirurgião pediátrico, Gustavo Pileggi Castro.
Ontem, ao se despedir das pequenas pacientes, o cirurgião contou à Uirapuru que as meninas tinham uma formação rara, sendo que compartilhavam órgãos como o baço, fígado, intestinos, bexiga e o pericárdio, que é a película que envolve o coração.
A primeira cirurgia de separação aconteceu no dia 02 de outubro de 2012. Ele destacou que durante o pós-operatório elas tiveram várias infecções de urina, porque a bexiga ficou muito pequena, o que adiou a ida para casa. Castro relatou que, a partir de agora as gêmeas terão vida normal de crianças de um ano, porém, com alguns cuidados, como o uso de bolsa de colostomia.
Ainda segundo o médico as meninas deverão passar por outras cirurgias para correção de malformações. O cirurgião salienta que foi muito gratificante poder fazer a cirurgia com sucesso, sendo que a parte mais difícil já foi realizada, e que a partir de agora a equipe irá continuar fazendo o acompanhamento das bebês.