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Saúde

Denúncia! Cais exibe cartaz orientando pacientes do SUS a fazerem exames particulares

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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O difícil e por vezes interminável caminho, percorrido pelos pacientes do SUS, até conseguir um tratamento eficiente e digno para uma determinada doença escancara a irresponsabilidade dos administradores públicos no trato com uma questão imprescindível para todos: a saúde.

Faltam médicos, remédios, existe dificuldade para se conseguir uma consulta, que dirá uma cirurgia. Situações que estão limitando o acesso da grande maioria da população aos serviços de saúde. Um exemplo lamentável da ineficiência de gestores, para oferecer um atendimento satisfatório ao cidadão, foi trazido por um ouvinte a Uirapuru.

Em um Cais da cidade está fixado numa parede, para que todos possam ver, um aviso informando que a Secretaria Municipal de Saúde não autoriza exames cardiológicos de complexidade, como Holter, Teste Ergométrico e o Ecocardiograma. Quem precisar deve pagar!

No cartaz é informado que os hospitais São Vicente e da Cidade – credenciados pelo SUS – oferecem descontos para os pacientes encaminhados por médicos que prestam atendimento na rede pública. Ao deixar de oferecer um exame ao cidadão, o poder público provoca uma reação em cadeia, que explica em grande parte o caos desse setor.

Sem o exame, não há o diagnóstico e, por conseqüência, o tratamento também não acontece. Com isso, os médicos, por não encontrarem formas de exercer a sua profissão da maneira apropriada, abandonam a rede pública, causando filas para consultas e cirurgias, por exemplo.

O Dr. Adroaldo Mallman, diretor da faculdade de medicina da UPF, explica que para a mais simples avaliação médica, obrigatoriamente, se necessita de um desses exames para que se possa iniciar o tratamento. Em não tendo esses exames elementares, há o risco de uma interpretação imprecisa e até processo judicial por parte do paciente. “Sem recursos tecnológicos a disposição os profissionais optam por outras áreas”, destaca.

Além disso, Mallman também diz que outro fator determinante para a baixa adesão a rede publica é a questão dos rendimentos. “A remuneração é inadequada, pois esses profissionais investiram alto em formação, passando pela graduação, pós graduação e especialização, que leva mais de uma década de estudo”.

A Reportagem ouviu também o advogado Edgar de Oliveira Garcia, que é promotor aposentado do Ministério Público. Sobre o cartaz fixado em um posto de saúde, revelando o encaminhamento do paciente para a rede privada, ponderou que esta atitude é irregular, passível inclusive de uma investigação mais aprofundada por parte do MP.

Surpreso, secretário de saúde vai abrir sindicância para investir o fato

A Uirapuru contatou o Secretário da saúde, Luiz Arthur Rosa Filho, que ao receber a informação ficou surpreso com o caso e a partir da denúncia irá abrir uma investigação interna para apurar os fatos. Admitiu que essa é uma irregularidade e que vai apurar quem foi o responsável por esta atitude.