Demarcação de terras: agricultores fecham estradas e exigem que governo considere títulos de propriedade de 100 anos
Nesta sexta-feira, dia 14, foi a vez dos agricultores protestarem contra a demarcação de terras indígenas. O protesto aconteceu em três pontos que ligam Passo Fundo com o restante do Estado: no km 273 da BR 285, em Mato Castelhano; no km 62 da RST 135, em Getúlio Vargas e no km 157 da ERS 324 em Pontão. O bloqueio aconteceu desde às 09h ás 14h, sendo que em alguns locais o trânsito ficou trancado por uma hora e em outros, o fluxo de veículos era liberado a cada 15 minutos.
O protesto fez parte de uma Mobilização Nacional que também bloqueou rodovias em Sananduva e Nonoai, e em outras partes do país. Aqui na região a ação foi organizada pela direção dos sindicatos rurais.
Em Getúlio Vargas, o Vice-Prefeito Mauricio Soligo, revelou que o clima é de angústia entre as famílias e tensão com os índios acampados nas proximidades da rodovia. A ERS-135, em Getúlio Vargas, chegou a registrar engarrafamento superior há 14 quilômetros. Mais de 100 tratores foram estacionados nas margens da rodovia. Houve distribuição de panfletos pedindo ajuda da sociedade para que as famílias de pequenos agricultores não percam as terras que adquiriram legalmente. Na mobilização realizada em Getúlio Vargas, o agricultor Otávio Moacir Sanzonowicz, levou cópias do Título de Propriedade que comprovam que a família é proprietária de 63 hectares de terras há quase 100 anos, em Mato Preto. Ele alega que em 1909 o governo fez a medição das terras e que nunca houve registro de índios. Destacou que a área foi compradas do governo em 1918.
Segundo o agricultor, na Reserva de Mato Preto, na região de Getúlio Vargas, há 335 famílias instaladas em uma área com 4 mil 530 hectares, altamente produtiva, com produção de milho, trigo, soja, cevada e com aviários, criação de porcos e com grande bacia leiteira.
Em Mato Castelhano, muitos agricultores e parlamentares estaduais e federais ficaram mobilizados ao longo do dia. O produtor Antônio Canalli, de Mato Castelhano, possui uma propriedade de 99 hectares, entre terras produtivas, reserva legal e nascentes protegidas, escriturada desde 1879. Segundo Canalli, caso sai a desapropriação ele perderá toda a propriedade que está dentro da área demarcada, recebendo somente indenização pelas benfeitoria. Declarou que todo o seu capital está nas terras, e que dela depende o seu sustento e o futuro dos filhos e netos. Disse que a manifestação serviu para chamar a atenção das autoridades e do cidadão, que depende dos alimentos produzidos por eles.