Alerta: jovens arriscam a vida usando remédio Benflogin – genérico LSD
A Uirapuru descobriu, por meio de denuncias feitas por pais, que os jovens de Passo Fundo têm usado, em larga escala, medicamentos à base de cloridrato de benzidamina, principalmente, o remédio Benflogin, como alucinógeno. Os adolescentes descobriram que a superdosagem de Benflogin, se ingerido com álcool provoca alucinações.
A caixa com 20 drágeas custa cerca de R$ 7 reais e os jovens não têm dificuldades em adquiri-lo, como ficou comprovado pela reportagem da Uirapuru que comprou o medicamento em uma farmácia da cidade sem nenhum problema e sem a exigência de receita. O cloridrato de benzidamina é um anti-inflamatório. A dose máxima diária é de 200 mg (miligramas).
Estudos mostram que a ingestão de 500 mg de Benflogin, leva ao desenvolvimento de alucinações e se associado ao álcool elas são mais intensas. Isso acontece graças aos efeitos psicoativos de seu princípio ativo, o cloridrato de benzidamina, por isso a utilização desses medicamentos em altas dosagens tem sido muito comum entre os adolescentes, principalmente na vida noturna. São muitos os relatos de jovens passo-fundenses que incrementam seus fins de semana com a ingestão de oito a quinze comprimidos da ”poção mágica ou genérico de LSD” como é chamada, tomada com bebida alcoólica ou refrigerante.
Na superdosagem, conforme explica o psiquiatra Jorge Luiz Carrão, as experiências sofrem deformações, causando alteração da percepção da realidade e consequentemente alucinações visuais. Entre os efeitos alucinógenos, os principais são raios e luzes coloridas, após a movimentação do globo ocular e o chamado pelos usuários de “Efeito Bruce Lee”, no qual são visualizadas cenas em câmera lenta. Para o psiquiatra, o maior dano causado pelo remédio é o comportamental.
Quando o efeito passa, a pessoa sente cansaço, sonolência, irritação, tonturas, dores de estômago e falta de apetite. Gastrite, úlcera, sangramento intestinal, convulsões e falência dos rins são sintomas do abuso prolongado do medicamento. Para os pais a situação é desesperadora, pois a falta de fiscalização e a venda fácil tornam quase impossível impedir que os jovens façam uso do perigoso remédio.
Diversos profissionais de saúde questionam a venda do remédio.
Diversos profissionais de saúde questionam a venda do remédio.
Ele foi desenvolvido há 40 anos e, de lá para cá, foram descobertos novos anti-inflamatórios menos perigosos. Consta na bula, de forma bem clara e objetiva, que o medicamento não deve ser associado a bebidas alcoólicas, e afirma também que a superdosagem causa alucinação. Uma solução, apontada por Carrão para impedir o uso da substância seria a exigência de receita médica.