Independência do Brasil: uma monarquia entre repúblicas na América Latina
Esse é o título do editorial do Jornal Troca Troca de ontem escrito por Fernando Severo de Miranda, Presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo. Se lá por 1817 alguém dissesse que o Brasil conquistaria sua independência em 1822, estaria fazendo uma previsão bastante duvidosa. A Coroa portuguesa queria uma integração entre Portugal e Brasil e tomava medidas para isso. Em 1814 as guerras napoleônicas terminaram na Europa, e a causa imediata da vinda da corte para o Brasil em 1808 – invasão de Portugal por Napoleão, já não existia mais. No entanto a Corte resolveu seguir instalada no Brasil, em atitude aparentemente estranha.
A abertura dos portos às nações amigas com a consequente extinção do monopólio comercial, em 1808, reforçam a idéia de que a corte mudou-se para o Brasil com a intenção de permanecer. Queria-se a interiorização da metrópole. Continuando nessa política, em 1815 o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves.Havia um projeto muito sólido e sutil de recompor as bases e comandar o império português a partir do Rio de Janeiro.
Mas o sonho de D João VI e das Cortes portuguesas de então, teria de ser refeito à luz de uma reviravolta que acabou precipitando a Independência.
Em agosto de 1820 irrompeu em Portugal uma revolução liberal, inspiradas nas idéias iluministas.A chamada revolução do Porto, defendendo os interesses da burguesia lusa, retirava os poderes absolutistas de D. João e pretendia fazer com que o Brasil voltasse a ser novamente uma simples Colônia. E mais, os revolucionários exigiam a imediata volta de D João VI para Lisboa. Temendo perder o trono, o rei embarcou em abril de 1821, acompanhado de 4.000 portugueses.
Em agosto de 1820 irrompeu em Portugal uma revolução liberal, inspiradas nas idéias iluministas.A chamada revolução do Porto, defendendo os interesses da burguesia lusa, retirava os poderes absolutistas de D. João e pretendia fazer com que o Brasil voltasse a ser novamente uma simples Colônia. E mais, os revolucionários exigiam a imediata volta de D João VI para Lisboa. Temendo perder o trono, o rei embarcou em abril de 1821, acompanhado de 4.000 portugueses.
Ficava, como príncipe regente, seu filho Pedro, futuro D. Pedro I.
A política de Portugal após a revolução do Porto foi a de tomar medidas que descontentavam profundamente a Colônia, como transferir para Lisboa as principais repartições instaladas no Brasil por D. João VI. E ainda mais, exigiam que D. Pedro também retornasse a Portugal, abandonando a regência.
A política de Portugal após a revolução do Porto foi a de tomar medidas que descontentavam profundamente a Colônia, como transferir para Lisboa as principais repartições instaladas no Brasil por D. João VI. E ainda mais, exigiam que D. Pedro também retornasse a Portugal, abandonando a regência.
O príncipe adotou a decisão de ficar no país, ato conhecido como o “dia do fico” (19 de janeiro de 1822). Os atos posteriores foram atos de ruptura com Portugal.
Os irmãos Andradas, especialmente José Bonifácio,foram figures importantes na política daqueles anos. Liberal em uns pontos e conservador em outros, considerava que para o Brasil a forma monárquica de governo fosse a melhor, com base em uma representação de cidadãos restrita às camadas dominantes e ilustradas.A chegada de novos despachos de Lisboa, que revogavam decretos do príncipe, precipitou a situação. A notícia foi enviada por Dona Leopoldina e José Bonifácio rapidamente a D. Pedro, que estava em viagem a São Paulo. As recomendações ao portador era de que arrebentasse uma dúzia de cavalos se fosse preciso, para encontrá-lo o mais rápido possível.
Os irmãos Andradas, especialmente José Bonifácio,foram figures importantes na política daqueles anos. Liberal em uns pontos e conservador em outros, considerava que para o Brasil a forma monárquica de governo fosse a melhor, com base em uma representação de cidadãos restrita às camadas dominantes e ilustradas.A chegada de novos despachos de Lisboa, que revogavam decretos do príncipe, precipitou a situação. A notícia foi enviada por Dona Leopoldina e José Bonifácio rapidamente a D. Pedro, que estava em viagem a São Paulo. As recomendações ao portador era de que arrebentasse uma dúzia de cavalos se fosse preciso, para encontrá-lo o mais rápido possível.
Alcançado a 7 de setembro, às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro proferiu o chamado Grito do Ipiranga, formalizando a Independência. O futuro imperador D. Pedro I, nascido no palácio de Queluz em Portugal, tinha então 24 anos. O Brasil tornava-se independente de Portugal e mantinha-se unificado, mas a forma de governo continuava sendo a monarquia, com um imperador no trono. Um caso único e pitoresco na América Latina, cujas Colônias ao libertarem-se da Espanha dividiam-se em vários países, que adotavam governos republicanos. Como mencionados inicialmente esse texto foi escrito por Fernando Severo de Miranda, Presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo.