Para ouvintes do Sem Segredo existe fome para quem não quer trabalhar
Após 10 anos de implantação, por parte do Governo Federal, do programa Bolsa Família e de muitas mudanças na economia do país, ainda há algo que preocupa e gera dúvidas em Passo Fundo. Atualmente cerca de 4 mil pessoas são assistidas pelo Bolsa Família no município. O número já foi bem maior em outros anos.
Como o programa tem entre os principais objetivos acabar com a fome e a miséria de famílias vulneráveis, a redução do número de atendidos leva a crer que esta meta está sendo atingida. Porém, um questionamento é levantado: será que ainda tem gente que passa fome na nossa cidade ou este problema faz parte do passado? No programa Sem Segredo de sábado, convidados que trabalham com assistência social discutiram o tema. Participaram do programa o secretário da Semcas, Saul Spinelli e o coordenador do Sine, Adelar Jandrei Soares. Para os ouvintes, no entanto, a condição social está muito atrelada à falta de vontade de trabalhar e também às leis, que não permitem que jovens menores de 18 anos comecem no mercado de trabalho.
Segundo o coordenador do Sine, Adelar Jandrei Soares, a cada dia diminui mais a situação de extrema pobreza na cidade. Ele lembra que foi lançado pelo governo o desafio de fazer mutirões sociais, para inserir as pessoas em situação de vulnerabilidade em um patamar melhor de vida. Adelar explica que aqui em Passo Fundo, a taxa de desemprego vem caindo e que o Sine oferece, a cada dia, em torno de 140 vagas. Entretanto, o coordenador lembra que o maior problema para colocar as pessoas no mercado de trabalho é a falta de qualificação profissional.
Segundo o secretário de Assistência Social, Saul Spinelli, existem sim situações de fome em Passo Fundo. A cada dia comparecem na Semcas diversas pessoas com sérias necessidades básicas de sobrevivência, sendo que a drogadição e o alcoolismo são a fonte da miséria. Questionado sobre o Bolsa Família, que pode acabar acomodando as pessoas por garantir uma renda mensal, Spinelli afirmou que muitas famílias se emanciparam com o programa, mas outras imaginam que o benefício é para o resto da vida.
Uma das entidades que atuam diretamente no combate a miserabilidade na cidade é o Comitê contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Orlei Borges, vice-presidente do comitê, lembra que muitas pessoas não querem deixar de ser atendidas pelo governo, mas por outro lado ainda há muita situação de famílias que passam fome em Passo Fundo.