Conselho de Educação propõe mudanças no curso de medicina: em Passo Fundo exigências já são cumpridas
Em audiência pública realizada nesta semana, o Conselho Nacional de Educação (CNE) propôs mudanças no que se refere ao Ensino de Medicina. A proposta do CNE prevê que 30% do internato obrigatório durante a graduação seja feito em serviços de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto indica que a carga horária de todo o curso de Medicina seja de 7,2 mil horas, distribuídas ao longo de seis anos. Desse total, 35% estão reservadas para o internato.
O estágio, por sua vez, é divido em dois módulos: 70% para clínica médica, ginecologia e obstetrícia, pediatria, saúde coletiva e saúde mental. O restante, para atendimentos na atenção básica em serviços ligados ao SUS. O vice-diretor da Faculdade de Medicina da UPF, Dr. Gilberto Bortolini, explica que estas alterações já vem sendo discutidas, democraticamente, desde junho do ano passado, pela Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM).
O tema foi debatido em reunião em que participaram mais de 100 instituições de ensino médico, dentre elas o Curso de Medicina da UFP. Por isso essas diretrizes, que se aplicam especialmente, ao internato médico ou aos dois últimos anos de graduação, não impactaram sobre maneira no curso local, pois já vinham sendo aplicadas. Ele registra que o Curso de Medicina da UPF conta com 7,3 mil horas aula e 30% já são destinados a atenção básica.
Outro dado importante, citado pelo médico é que o MEC fará, a cada dois anos, uma prova há nível nacional de aptidões. Que segundo ele testará, na prática, a qualidade dos médicos brasileiros. Mudanças, segundo frisa, positivas e que melhor contemplam as necessidades do país. Júlio Stobe, vice-diretor médico do Hospital São Vicente de Paulo, parceiro da Faculdade de Medicina da Universidade da Fronteira Sul, concorda com Bortolini.
Para ele era necessário que os cursos de medicina sofressem ajustes e também que os alunos tivessem essa vivência de SUS, para conhecer a realidade da profissão que escolheram. Stobe fez questão de salientar que o curso federal de medicina também já está adequado as mudanças.A revisão das diretrizes curriculares do curso de Medicina é uma decorrência da lei que instituiu o Programa Mais Médicos. O CNE tem prazo de um mês para finalizar o novo texto. Depois da decisão do conselho, o Ministério da Educação lançará editais de concorrência para a implantação de novos cursos de graduação nessa área.