Mausoléu da Vera Cruz: homenagem os heróis passo-fundenses tombados na Revolução Constitucionalista
Característica do Rio Grande do Sul, os mausoléus são espécies de tumbas de grande porte, construídas para sepultamento de personalidades importantes. Em 1905, vindo de Vila Rica, atual Júlio de Castilhos, o Capitão Jovino da Silva Freitas e sua família passaram a morar em Passo Fundo.
Empresário e político, capitão Jovino morreu em 19 de novembro de 1918, aos 41 anos, vítima da gripe espanhola e, para sepultá-lo, a família construiu um grande mausoléu no Cemitério Vera Cruz. Devido a algumas rachaduras na parte interna da construção, a família construiu um túmulo tradicional ali perto, para onde o corpo do capitão foi transferido, pois temiam que as fissuras causassem o desabamento do mausoléu.
Alguns anos depois, a família do capitão mudou-se para a capital do estado e o mausoléu passou um período de tempo abandonado. Nessa mesma época, em 1932, militares passo-fundenses se juntaram às tropas que defendiam Getulio Vargas na Revolução Constitucionalista, no Combate de Itararé. De acordo com o estudioso César Lopes, a família do Capitão Jovino cedeu o mausoléu ao Exército Brasileiro, para que os que foram mortos durante essa batalha fossem sepultados ali.
A Revolução Constitucionalista, foi um movimento armado, ocorrido no Estado de São Paulo entre os meses de julho e outubro de 1932. Como forma de resposta paulista à Revolução de 1930, tinha por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil. De acordo com o historiador e presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo, Fernando Miranda, foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas e o último conflito armado ocorrido no Brasil.
O mausoléu, construído com a finalidade de sepultar o capitão Jovino, hoje é monumento em homenagem aos tombados na Revolução. Sob responsabilidade do Exército Brasileiro, o Mausoléu é patrimônio histórico, desenhado por um artista plástico francês, de beleza arquitetônica, que estava escondida devido aos estragos provocados pelo tempo. Em 14 de junho de 2012, o Exército entregou ao Município de Passo Fundo o Mausoléu reformado, que passou por restauração das imagens sacras, vedação das rachaduras, substituição das esquadrias e vidros, pintura nova e troca da rede elétrica.