Skip to content

Geral

Caso Dal Agnol: vítimas do desfalque temem o pior

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
Imagem não disponível

Já se passaram seis meses do dia em que a comunidade passo-fundense foi surpreendida por uma operação deflagrada pela Polícia Federal que fez cair a máscara de um homem, cuja sua aparência e ostentação, encantavam todos em sua volta.

 

Maurício Dal Agnol é o nome do advogado acusado de liderar uma quadrilha de profissionais que deixou uma marca no Rio Grande do Sul. A marca de aplicar o maior golpe financeiro da história do estado gaúcho.

 

 

DIA 03 DE JUNHO

 

No dia 03 de junho, o Ministério Público ingressou com uma ação principal junto à 4ª Vara Cível de Passo Fundo, referente ao caso Dal Agnol. A ação tinha como objetivo declarar indisponíveis os bens do golpista para que fosse assegurado patrimônio suficiente para ressarcimento das vítimas.

 

Além disso, foi pedida a nomeação de um interventor, que deverá ter acesso a todos os documentos do escritório Dal Agnol Advogados, referentes as ações ajuizadas contra a Brasil Telecom e que foram alvo da Operação Carmelina.  O escritório teria dez dias após a intimação para o cumprimento dessas medidas, e no caso de atraso teria que pagar uma multa de R$ 500 mil por dia. Nada está sendo cumprido.

 

 

Ação do Ministério Público está parada no Tribunal de Justiça

 

Promotor Paulo Cirne

 

Em entrevista exclusiva para a Rádio Uirapuru, o promotor Paulo Cirne afirmou   que todos os esforços necessários estão sendo feitos pelo Ministério Público, no entanto, aguarda uma decisão por parte do Tribunal de Justiça, para que julgue o pedido com a maior brevidade possível.

 

 Dr. Paulo não soube precisar o número de pessoas lesadas, mas acredita ser      bem maior que o divulgado inicialmente, pois é constante a chegada de novos    casos de vítimas.  A maior preocupação do MP é que o réu, por ser advogado e  conhecer as sanções de um processo para um caso desses, consiga se desfazer   do patrimônio, não ressarcindo as vítimas.

 

 

 

 

 

Delegado Federal afirma: “Prazo corre contra lesados”

 

Com preocupação imensa e dedicando horas diárias de trabalho, o delegado da Polícia Federal Mario Luiz Vieira, responsável pelo caso, afirma que a operação Carmelina foi um sucesso tendo a decretação da prisão preventiva de Dal Agnol, porém a sua libertação concedida pelo Tribunal de Justiça do Estado acabou deixando todos frustrados.

 

Delegado Mário Vieira

 

Desde que foi concedido o salvo conduto ao Maurício Dal Agnol e ele retornou à Passo Fundo,  teve tempo de contratar advogados com grande potencial e que conhecem todos os meandros da lei. A PF tem a confirmação de que todas as suas contas bancárias foram zeradas e que o patrimônio dele ainda não está bloqueado.

 

“Isto certamente vai nos levar a uma frustação, por que a operação além de levar para a prisão os principais responsáveis, as vítimas  tem que ser ressarcidas”, lembra o delegado. Pouco provável que isso aconteça, diz.

 

O Delegado destacou que a decisão de salvo conduto foi dada pelo TJ- RS, e essa decisão deve ser respeitada, mas entende que um foragido não poderia receber um Habeas Corpus.

 

“Com essa liberdade ele está interferindo nas provas que podem ser coletadas e o patrimônio dele e o dinheiro que poderia assegurar as ações civis foram retiradas dos bancos e não temos notícias de que o registro de imóveis tenha recebido alguma determinação de restrição”, observa delegado Mário. 

 

Lembra que são milhares de pessoas lesadas de todo o Estado que procuram a delegacia para registrar ocorrência. Pessoas estas que podem, efetivamente, por manobras jurídicas e por falta de  tempo, não serem indenizadas.

 

 

 

 Relembre a Operação Carmelina


A Operação Carmelina foi desencadeada no dia 21 de fevereiro   deste ano  com o objetivo de desarticular uma organização       criminosa formada  principalmente por advogados e contadores que lesaram mais de 60 mil  pessoas e os valores que superam as       cifras dos milhões.

 

A investigação que durou mais de dois anos constatou que uma    banca de  advogados, com sede principal em Passo Fundo, aptava clientes e ajuizava    ações contra uma empresa de telefonia. As   ações eram julgadas procedentes   e o valor recebido não era     repassado aos clientes ou o pagamento era muito   menor do que havia sido estipulado na sentença.

 

 

No dia em que a operação foi desencadeada, Maurício Dal Agnol já estava com o mandado de prisão preventiva decretado pela 3ª Vara de Execuções Criminais da Comarca de Passo Fundo, porém estava fora do país e acabou não sendo preso.

 

Após quatro meses na situação de foragido, Dal Agnol teve a prisão preventiva revogada e foi beneficiado por um salvo conduto concedido pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, tendo que se apresentar na comarca de Passo Fundo entre os dias 1º e 30 de junho. Ele se apresentou 13 dias antes do encerramento do prazo.

 

Maurício Dal Agnol chegou ao Fórum abordo de uma caminhonete Land Rover, acompanhado por advogados e seguranças. Naquela ocasião, ele se dirigiu até o 3º andar, de onde os jornalistas, que o esperavam desde o início do expediente, haviam sido afastados pelos seguranças da comarca por ordem da juíza.

 

O cumprimento das formalidades de apresentação não durou pouco mais de 30 minutos e na saída, teve que passar pelo meio de populares, que aos gritos de “ladrão, ladrão” exigiam justiça.