Uso de câmeras para vigilância é positivo, mas a privacidade dos funcionários tem que ser respeitada
Hoje em dia a vigilância por vídeo-monitoramento é uma realidade, no comércio, órgãos públicos, sinais de trânsito, ônibus, as câmeras são uma constante.
São pequenos Big Brothers, que deixam poucos os momentos de privacidade para as pessoas comuns. O olhar indiscreto das câmeras, dos telefones celulares, máquinas digitais e tablets, tornam difícil a tarefa de escapar da vigilância. Ninguém está a salvo de um click. Mas até que ponto este monitoramento acirrado é benéfico?
Em empresas e locais de trabalho, isso é uma forma legal de cobrar os funcionários? Essa foi à pergunta respondida pelo Sem Segredo, de sábado, dia 14, na Rádio Uirapuru. No estúdio participaram Roberto Stivalett, diretor da CDL e o advogado Júlio Ramos.
E a conclusão a que chegaram, debatendo o tema, entrevistados e ouvintes é de que, sim, as câmeras são uma boa opção de vigilância desde que utilizadas de forma adequada.
Conforme registra Júlio Ramos, os empresários têm que ter em mente que os seus colaboradores não são números, não podem ser tratados como uma mercadoria de sua propriedade.
São pessoas, com suas identidades e o principal ativo de suas empresas, por isso devem ser tratados como tal. Sendo assim, inclusive legalmente, as imagens são patrimônios inalienáveis do indivíduo. Portanto, as câmeras podem e devem ser usadas, desde que com bom senso.
Outra opção aventada pelo advogado é o diálogo, entre patrões, sindicatos e funcionários. Já o empresário Roberto Stivalett, reforça a importância destes equipamentos para a segurança. Lembrando que, atualmente, muitos criminosos têm sido identificados por esses meios. No entanto é preciso buscar o equilíbrio, utilizando as câmeras em locais de uso comum e não invadindo a privacidade dos funcionários e clientes.
A grande maioria dos ouvintes chegou à mesma constatação dos entrevistados. Se as câmeras são o preço a pagar pela segurança, que elas sejam utilizadas, mas com parcimônia e respeito. Ressaltando que as imagens devem ser utilizadas apenas para isso, para garantir a inibição da violência e não para constranger clientes e funcionários.
Sobre imagens, em tempo real, disponibilizadas na internet, o advogado Júlio Ramos frisa que o cuidado deve ser muito grande. Pois quem libera essas imagens é responsável por elas. Por isso orientação técnica nessa hora é fundamental.