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Geral

Destruição dos Planos de Saúde

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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Lamentável, sob todos os aspectos, a decadência, a derrocada, a destruição dos planos de saúde. Eles surgiram como uma grande salvação para aquelas famílias que, com enormes sacrifícios, criavam as condições mínimas para pagar uma mensalidade e assim ter direito a tratamento de saúde diferenciado, não dependendo apenas do imprevisível e caótico sistema público.

 

No início, foi espécie de redenção para milhões de pessoas e, para o próprio governo, pois não seriam pacientes do sistema público, com o Estado economizando seus sempre escassos recursos. E seria bom, ainda, para os profissionais, justo num momento em que a especialidade médica se espalhava por todos os recantos do país, pois eles teriam pacientes cativos desde que atuassem com competência.

 

Na arrancada dos Planos de Saúde, lá pela década de 1970 tudo era maravilhoso e funcionava a contento. Um cidadão que conseguia pagar o plano – repetimos, muitas vezes, com enormes sacrifícios – podia escolher a dedo o médico de sua preferência e era atendido como cliente particular. Caso ele necessitasse de internação hospitalar tinha o direito a quarto particular e a outras atenções típicas de um diferenciado. Afinal, ele vinha pagando mensalmente para ter certa tranquilidade nos complicados e traumáticos momentos que acompanham a doença.

 

Neste quadro positivo eis que veio a ganância. Ganância dos planos e seus gestores querendo se expandir de maneira vertical e do governo que começou a se incomodar porque os planos faturavam alto e ficavam com o filé dos casos, deixando para Sistema Único de Saúde (SUS)  as buchas onerosas de casos de doenças crônicas e prolongadas em hospitais nem sempre nem equipados e em exíguas UTIs. Vieram as restrições do órgão controlador, consequentemente um aperto nas finanças dos planos de saúde que repassaram para médicos e prestadores de serviços os ajustes. Com isso, veio a desmotivação geral e o atendimento, muitas vezes, ficou até pior do que aquele que é oferecido pelo sistema público.

 

Hoje, mesmo as operadoras consideradas top de linha como a UNIMED, perderam qualidade e até reduziram usuários a partir do momento em que seus próprios associados (médicos) impõe prazos prolongados para simples consulta e, outros tantos, descredenciam-se da instituição. E os associados dos planos de saúde começaram a buscar outros caminhos ao fazer suas contas e constatarem que o que gastavam todo mês para não ter o benefício combinado não fazia sentido. Diante dessa realidade decidiram ficar no SUS e até fazer alguma poupança para eventualidade médica, de maneira a negociar direto com médico um valor em particular.

 

Com essa realidade perderam todos, em especial o cidadão. Parece que nada que funcione pode ser visto sob outros olhos e incentivado a crescer. Aqui no Brasil se algo está indo bem alguém acha a forma de coibir ganhos e até desmontar o que se conseguiu com muito esforço: se pagava relativamente barato e se tinha direito a maior parte das necessidades e agora vai se pagar caríssimo e não ter o básico, o elementar dos tratamentos. Repetimos, lamentável sob todos os aspectos, pois a crise que assola as finanças públicas vai afetando ainda mais o atendimento em saúde para a população.

 

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