Morre arara que passou por cirurgia
A cirurgia da arara foi considerada um sucesso. Com a fixação da haste medular perfeita e sem nenhuma intercorrência anestésica no pré, trans e pós-operatório imediato. Porém, algumas horas após a recuperação anestésica a ave acabou entrando num quadro de depressão neurológica e os reflexos e respostas ao ambiente começaram a ficar deficitários.
O animal foi mantido por algumas horas em ventilação assistida e com monitoramento constante pela equipe responsável do caso. Porém na madrugada do dia 11 de junho a arara acabou entrando num quadro de coma e não respondeu a nenhum fármaco ou procedimento empregado para reverter. Foi decretado o óbito após uma parada cardíaca sem sucesso de ressuscitação, mesmo com os artifícios utilizados.
A equipe do Hospital Veterinário, juntamente com os parceiros na inovação, sentem muito pela perda, não só pelo advento mas, principalmente, pela vida do pscitacídeo.
Entenda o caso:
Uma arara passou por um procedimento raro no Hospital Veterinário da Universidade de Passo Fundo (HV/UPF). A ave, que tem idade estimada entre 15 e 20 anos, teve uma degeneração óssea que comprometeu as funções da pata direita. Nessa primeira etapa, em um procedimento cirúrgico, o membro foi amputado e, no local, foi implantada uma haste metálica na qual será fixada a prótese que devolverá o equilíbrio bilateral da ave. O procedimento foi realizado por uma equipe multiprofissional.
O médico veterinário José Roberto Silverio, responsável pelo cuidado da arara no Zoológico da UPF, explica que há alguns meses a ave começou a apresentar sintomas de que algo não estava bem no membro. Para tentar conter o problema, foram usados medicamentos em forma de pomada e injetáveis, que não surtiram o efeito desejado. Uma biópsia também foi realizada para identificar a existência de um possível tumor, ou mesmo alguma bactéria que pudesse estar causando o problema. Nenhuma das hipóteses foi comprovada.
Em função da degeneração, a arara teve as funções do membro comprometidas. Com dificuldade para se locomover e se alimentar, ela passou a forçar mais o membro sadio e o bico e estes poderiam sofrer alguma fratura e levar a ave à morte. A opção foi pelo tratamento cirúrgico para implantação da prótese que devolverá a qualidade de vida ao animal.
O fisioterapeuta especialista em próteses e professor do curso de Fisioterapia da UPF Luiz Otávio Gama é o responsável por produzir a peça que devolverá a qualidade de vida à arara. De acordo com ele, devido à anatomia da ave ser desconhecida por ele, foi necessário pesquisar. A partir disso, está sendo projetada uma prótese de carbono, material que foi escolhido por ser mais leve e resistente, tendo em vista a força que a ave possui no bico e que poderia danificar a peça. O modelo definido será fixado à haste por meio de uma rosca, o que permitirá a troca com facilidade, em caso de algum dano.
Cirurgia
A equipe que realizou a cirurgia foi coordenada pela professora da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV) Michelli de Ataide, que também coordena o Grupo de Estudos de Animais Silvestres (Geas) da UPF. A ave foi sedada para que o procedimento, que durou pouco mais de uma hora, pudesse ser realizado. A arara passará agora por uma fase de recuperação no HV até que o tecido esteja cicatrizado e a prótese possa ser colocada. A haste foi instalada no lugar em que antes era ocupado pela medula do osso da perna e fixada com metacrilato. O ortopedista do Hospital Ortopédico de Passo Fundo Fábio Lhamby foi quem fixou a haste. Ele explica que esse material é o mesmo que se usa em cirurgias realizadas em pessoas.