Fiscalização dos caminhões que transportam leite é apontada como a chave para coibir fraudes
O Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã de ontem, a primeira ação contra derivados de leite no Estado. Na então chamada Operação Queijo Compen$ado 1, o MP descobriu um esquema de fraude no queijo fabricado pela indústria Laticínios Progresso Ltda., de Três de Maio.
O MP informou que para fazer um quilo de queijo, o normal é usar 10 litros de leite. Nesta fraude, eles usavam cinco ou seis litros de leite e adicionavam o amido de milho para compensar. A característica final principal é um queijo esfarelento, sem cremosidade, que não derrete e tem forte cheiro.
O coordenador de inspeção municipal, Mauro Moreira, explicou que o trabalho de fiscalização feito em Passo Fundo é um dos mais antigos do Brasil. Os agentes visitam 4 propriedades de laticínios cadastradas na cidade, semanalmente, coletando amostras e analisando as instalações e o processo de fabricação.
Ele citou casos de queijos apreendidos na cidade e que estavam vencidos, sendo provavelmente reaproveitados pela indústria de outras formas, como queijo ralado ou até mesmo em pratos que levam o produto. Mauro Moreira destacou também que a chave para acabar com as fraudes é fiscalizar o transporte do leite como um todo, pois o sistema atual coleta em várias propriedades, dificultando a identificação quando existe algum problema.
Barrar o leite somente na indústria dificulta o flagrante e os fraudadores seguem com o esquema. Conforme diz, a fiscalização local inclui testes de laboratório, sendo que quando identificam irregularidades a fábrica pode ser fechada imediatamente pelo órgão.
Ele recomendou também, atenção com o preço, pois queijo muito barato é um sinal claro de adulteração. Denúncias podem ser feitas através do telefone 3311-1193.