Correios: da excelência ao péssimo serviço prestado
Não é de hoje que os serviços oferecidos pelos Correios sofrem com a baixa qualidade, principalmente, no que diz respeito aos atrasos na entrega de correspondências e encomendas. São muitas as queixas de quem precisa dessa que foi uma das empresas mais respeitadas e com maior credibilidade do País.
A realidade agora é completamente outra. Mesmo com funcionários buscando atender aos clientes com a melhor das boas vontades, a estrutura defasada, falta de pessoal e a má gestão administrativa, fazem com que os Correios deixem muito a desejar.
O problema atual e que está tirando a paciência dos clientes é a entrega de encomendas. Pessoas ouvidas pela reportagem da Uirapuru manifestaram indignação com que denominam de “enganação”. Um dos casos é do consultor Ruben Franken, que relatou uma situação que ocorrendo com bastante frequência. Disse que teve um cartão de crédito devolvido a operadora porque não estaria em casa para receber a encomenda. Disse que em contato com a operadora, o cartão de crédito estava em Passo Fundo desde o dia 13/08. “De posse do número de rastreamento fiz contato com a agência dos Correios da Rua Moron, onde fui informado que deveria me dirigir ao CDD, no Bairro São Cristóvão, pois o envelope já estava em fase de devolução ao remetente mais uma vez”, revelou.
De acordo com Rubens, ao solicitar o envelope, informou que em nenhuma das datas e horários descritos pelo carteiro no carimbo de devolução ele havia sido contatado. Um atendente dos Correios respondeu que os carteiros não têm obrigação de tocar o interfone em prédios e que se não tiver porteiro ou síndico para receber a correspondência, o carteiro simplesmente retorna a encomenda aos remetentes. “O carteiro vem até a frente do prédio em que eu moro (fazendo um favor, pois a minha rua nem carteiro tem, segundo a Agência dos Correios de Passo Fundo), ai ele se depara com um interfone, não toca o interfone para eu receber a correspondência e assinala no envelope que esteve aqui e eu não fui encontrado. Trata-se de um descaso, um embuste”, desabafa.
Outro relato recebido pela Uirapuru foi de Alex Lima, que mora no 5° andar de um prédio, no Bairro Rodrigues, próximo ao centro da cidade. O problema é o mesmo. Relata que foi ao banco porque os carteiros não entregaram um cartão de crédito. “Eles colocam na correspondência que morador estava ausente se nem sequer ligam para interfone. Sabe como termina isso, o envelope voltando para remetente. É de pirar com essa gente”, reclama. Lima diz ainda que quando liga para o CDD dos Correios, do Bairro São Cristóvão, o atendente diz que estamos no Brasil. “Que tal a resposta? Por isso que ao chegar na CDD tem um aviso bem grande que desacatar funcionário público é crime. Por que será que tem esse anúncio? É brabo!”, finaliza.
O que diz a legislação
O Ministério das Comunicações foi que regulamentou esse método de ação adotado pelos Correios. O órgão utilizou como base a Lei 6.538/98 e a Portaria 567/11. Dessa forma, carteiros somente podem fazer a entrega para porteiros ou síndicos de condomínios ou para algum responsável designado, caso não haja caixa de coleta coletiva ou individual. O representante do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos (SINTECT/RS) Gelson Zapelo, confirma essa norma e diz que em alguns casos, de Sedex, os carteiros tentam o contato com o cliente via interfone e fazem a entrega. “Mas, para cartas registradas e demais encomendas isso não ocorre. Buscamos o síndico ou algum porteiro, se não existir não fizemos a entrega”, explica. Nessas situações uma nova tentativa é feita em três dias. “Se fizéssemos a entrega vertical (porta a porta) a demora seria bem maior”, destacou.
“A falta de pessoal já não pode mais justificar a falta de qualidade nos serviços. Se essa companhia não tem mais capacidade que entregue para a iniciativa privada”, registou João Monteiro, que é aposentado e também teve problemas com o atendimento quando precisou receber o documento do IPVA. “Estou sempre em casa, e não consegui receber o documento. Tive que ir na agência para buscar”, reclamou.
Greve da categoria
Gelson Zapelo citou que a categoria segue mobilizada buscando melhorias salariais e nas condições de trabalho. A campanha salarial 2015 já está nas ruas, com a categoria buscando entre as principais reivindicações, reajuste de 12%, novas contratações e plano de saúde. A direção nacional dos Correios ficou de enviar uma proposta até esta sexta-feira (04). O sindicalista explica que o cronograma da mobilização marca para o próximo dia 9 uma Assembleia Geral, oportunidade em que a categoria vai analisar a proposta da empresa (se vier) ou decidir pelo estado de greve. “Se não ocorrer acordo, poderemos deflagrar greve geral no dia 15 de setembro”, informou.