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Cultura

Revolução Farroupilha: marcas da história gaúcha

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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No dia 20 de setembro é comemorado o dia do gaúcho. Os Festejos Farroupilha marcam o mês que lembra a história e a bravura dos Rio-Grandenses. Por trás da comemoração, a guerra que mudou o estado e até mesmo o Brasil: A Revolução Farroupilha.

 

As causas da Revolução

 

Segundo o mestre em história Eduardo Knack, a Revolução Farroupilha teve motivações políticas e econômicas. Os produtores gaúchos estavam insatisfeitos com o alto custo do charque gaúcho em comparação ao Uruguaio que era mais competitivo. O governo imperial não fazia proteção alfandegária e a produção platina era feita com mão de obra livre, enquanto o Rio Grande do Sul utilizava mão de obra escrava, o que tornava o charque ainda mais caro. A motivação política, conforme o historiador foi a centralização do poder. Naquela época, o presidente da província, uma espécie de governador, era nomeado pelo governo central e defendia seus interesses e não os interesses gaúchos. “A Guerra dos Farrapos tem o marco de 20 de setembro de 1835 que foi a data da “deposição” de Antonio Fernando Braga pelas forças lideradas por Bento Gonçalves que entrou em Porto Alegre e depôs o presidente da província”, explica Knack.

 

A adesão aos ideais revolucionários

 

De acordo com o mestre em história, apesar de ao longo dos anos ter se construído a imagem de que foi um movimento de todo o estado, muitas cidades ficaram dividas entre imperialistas e farrapos. Ele explicou que quem assumiu e liderou o conflito foram os pecuaristas estancieiros e alguns charqueadores que mobilizaram as tropas e seus escravos contra o império. Segundo Knack, nos dois grandes centros comerciais do estado, Porto Alegre e Rio Grande, poucos habitantes aderiram ao movimento e estas cidades estiveram, na maior parte do tempo, nas mãos das tropas do império. A divisão também ocorreu em Passo Fundo, “Cabo Neves, fundador do povoado que viria a ser Passo Fundo foi defensor do império, já Fagundes dos Reis embora não tivesse se envolvido diretamente no conflito era simpatizante dos farroupilhas. Ele chegou a ser preso e levado para o Rio de Janeiro”.

 

A Proclamação da República

 

Proclamada por Coronel Neto, depois da vitória sobre as forças imperiais na Batalha do Seival, a República Rio-Grandense é considerada, por muitos historiadores, uma segunda fase da Revolução. Knack esclarece que ela radicalizou o movimento porque muitos grupos que apoiavam os farroupilhas não pensavam em romper com o império, mas pressionar o governo para atender suas reivindicações como autonomia politica e proteção ao charque. Já para os defensores da República, o Rio Grande passava a ser uma nação livre e independente. Conforme o mestre em história, em 12 de setembro de 1836, o Coronel Neto formalizou a República em uma ata oficialmente assinada por 52 companheiros. A Câmara Municipal de Jaguarão aderiu à República, indicando Bento Gonçalves como seu chefe. Em seguida, Bento Gonçalves foi atacado pelas forças imperialistas e preso. Assim montou-se um governo provisório para cuidar dos desdobramentos da Revolução e administrar a nova República.

 

A Participação dos Escravos

 

Knack lembra que a participação dos escravos foi decisiva, em determinados momentos do conflito, porque aumentava as fileiras farroupilhas. Os estancieiros arregimentavam seus escravos, prometendo liberdade. Escravos de outras propriedades fugiam para se juntar as tropas em busca da liberdade. Alguns historiados estimam que em certo ponto do conflito os lanceiros negros representaram quase metade do exército farroupilha. Ele destaca um episódio chamado a Batalha dos Porongos, quando em 1844, as tropas imperiais atacaram os escravos farroupilhas que estavam num acampamento. Uma carta, cuja autenticidade não é comprovada, afirma que o ataque teria sido acordado entre Farrapos e Imperialistas. Para o historiador, as razões seriam variadas como facilitar o acordo de paz entre a República e o Império e a liberdade dos escravos. Há ainda a possibilidade de que a carta tenha surgido para desmoralizar os líderes farroupilhas, evitando um novo conflito. “É consenso entre os historiadores de que esses lanceiros negros encontravam-se praticamente sem armamentos no momento do ataque”, pondera.

 

O Fim da Guerra

 

O acordo de Ponche Verde, assinado em 1 de março de 1845, foi assinado por Davi Canabarro, comandante das forças farroupilhas no momento, e o Barão de Caxias, representando o Império. As condições propostas pelos revolucionários eram: autonomia para indicar o presidente da província; governo imperial assumir as dívidas da guerra; oficiais farroupilhas integrados ao exército imperial com os mesmos postos que ocuparam na República Rio-Grandense; escravos que participaram do confronto deveriam ser libertados (mas acabaram sendo levados para o Rio de Janeiro e vendidos como escravos, sem protesto dos farroupilhas); garantia de paz e segurança individual e das propriedades depois da guerra e a libertação dos prisioneiros de guerra.

 

As consequências

 

O mestre em história, Eduardo Knack, ressalta que a guerra causou significativos danos à economia Rio-Grandense. A imigração colonial foi praticamente interrompida, muitas cidades tiveram sua população reduzida, enfraquecendo a força de trabalho. Passo Fundo, por exemplo, mesmo sem ter uma importância vital durante a guerra, serviu de corredor de passagem para tropas militares de ambos os lados, o que trouxe grande prejuízo para a cidade. O número de habitantes caiu drasticamente, pois muitos moradores foram embora, casas e ranchos ficaram desabitados. A economia simplesmente travou, sendo retomada paulatinamente aos poucos depois do fim da guerra.