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Saúde

Prematuridade: cuidado humanizado que faz a diferença

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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O mês de novembro é roxo, pois é lembrado como mês de Sensibilização para a Prematuridade. O Brasil está entre os dez países com os maiores números de partos prematuros. Segundo dados do Ministério da Saúde, são realizados em média 279 mil partos prematuros por ano (antes de 37 semanas de gestação). Na mundo todo, um em cada dez bebês nasce prematuro. A boa notícia é que as tecnologias e o cuidado humanizado aumentam a taxa de sobrevida desses pequenos. No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, em 2014, 415 bebês receberam atendimento no Centro de Tratamento Intensivo Neonatal e Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCO), sendo que a taxa de alta hospitalar chegou a 90%. A taxa de mortalidade registrada no hospital também é baixa, já que no estado o número fica em torno de 15%, e por exemplo, no mês de setembro de 2015, no HSVP esse número foi de 5.5%. A estrutura de alta complexidade, aliada a profissionais preparados, atendimento humanizado e técnicas inovadoras permitem a construção desses resultados.

 

A prematuridade na maioria da vezes é uma surpresa para pais e mães, que ficam assustados com a situação. “Mesmo com uma maior taxa de sobrevida para os prematuros, muitos pais se assustam com a notícia que os filhos vão precisar ficar na CTI. Quando o bebê prematuro nasce o pai e mãe caem em um mundo totalmente diferente. Mas com o passar dos dias esses pais vão se adaptando a rotina de visitas, de cuidados até a chegada da alta”, enfatiza a médica Pediatra e coordenadora do CTI Neonatal e UCINCO do HSVP, Jaqueline Cabeda. Além de cuidar dos bebês ela salienta que a equipe dá suporte a estes pais, que precisam estar bem para acompanhar o dia a dia dos pequenos. A equipe escuta os pais e os orienta, para que se sintam amparados e confiantes com o cuidado dos filhos. “Nós nos preocupamos com as mães, se estão dormindo se alimentando, pois precisam estar bem para produzir o leite, pensamos nos pais que muitas vezes ficam no trabalho e podem ver os filhos só a noite e também quando a família é de outra cidade procuramos saber onde estão hospedados e disponibilizamos as refeições para o acompanhante do bebê”, explica a enfermeira Josevane Conte.

Humanização que faz a diferença

A enfermeira Alessandra Silva relata quem um dos destaques do trabalho da CTI Neonatal é a humanização do atendimento. Ela relata que toda a equipe busca sempre humanizar o cuidado e buscar técnicas que melhorem o atendimento e acelerem a alta. Exemplos disso, são as técnicas do cuidado Canguru, a técnica do Casulo e o banho de Ofurô. “Nós implantamos o banho de ofurô, que relaxa, acalma e ajuda no ganho de peso dos bebês, na coleta dos exames nós enrolamos o bebê, que é uma técnica que causa menos dor para a criança e traz mais segurança para o profissional, além de cuidado carinhoso e atencioso tanto para o bebê como para a família. Quanto menos traumas esse bebê tiver no CTI melhor será sua qualidade de vida no futuro”, pontua.

Cuidado pioneiro no país, desenvolvido pela Dra. Jaqueline a técnica do Cásulo já tem resultados comprovados no atendimento aos pequenos. Na técnica, o bebê fica envolto em um saquinho, que recebeu o nome de Casulo, fechado em cima e embaixo, formando uma membrana como se o bebê estivesse dentro da barriga da mãe. O tecido é maleável, permitindo que o bebê mexa-se normalmente dentro do Casulo. “Todos os bebês estáveis, a partir do sétimo dia já estão liberados para fazer o Casulo. Depois que iniciamos a técnica percebemos um maior ganho de peso, os bebês se sentem mais seguros, não se assustam tanto com os ruídos e choram menos”, salienta Jaqueline. Alessandra também pontua que com o Casulo os bebês dormem melhor o que ajuda no crescimento e ganho de peso, acelerando a alta hospitalar.

 

O cuidado Canguru, que é realizado desde 2002, caracterizado por proporcionar o contato pele a pele entre os pais e o bebê, auxilia no ganho de peso dos bebês, acelera a alta hospitalar e fortalece o laço entre os pais e o bebê. “As vantagens são inúmeras. Sem fazer o canguru os prematuros ganham até 0,15 kg dia e após o canguru eles ganham 0,25 a 0,35 gramas dia. É uma evolução vantajosa para mãe, para nós e, principalmente, para o bebê”, aponta a enfermeira Josevane.

 

Cuidado aprovado pelos pais

 

Quando Manuela Bertagrolli descobriu que estava grávida de gêmeos, não imaginava que os seus bebês precisariam de cuidados em uma Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal. Mas com 28 semanas, a bolsa de Manuela rompeu e então Caio e Felipe nasceram, Caio com 850 gramas e Felipe com 1,310kg. Há 34 dias no CTI, os pequenos estão estáveis, ganhando e peso e aos poucos ganham o colo da mãe. “ Eu não imaginava como era uma CTI, que tinha toda essa estrutura e profissionais. Ficamos preocupados e assustados no início, mas depois que conhecemos e vimos como tudo funcionava ficamos mais tranquilos. As pessoas aqui são maravilhosas , dedicadas e cuidam muito bem dos pequenos”, relata.

 

Carla Olinda Reis, mãe da pequena Antônia, aguarda ansiosa pela alta. Ela também não imaginava que a filha precisaria de cuidados em um CTI. Antônia nasceu com 1,405kg e está há um mês internada. “O Canguru, o casulo e o banho fazem toda a diferença para eles. A Antônia precisava ganhar peso e essas técnicas ajudaram. Sem falar que o banho é um momento lindo, ela ficava quietinha, quase dormia”, conta a mãe.