União que dá resultados: grupo se organizou e está construindo condomínio com 200 moradias
O objetivo de ter seu próprio lar, parar de morar de favor, pagar aluguel, sem depender de ninguém, para muitas pessoas é algo quase impossível de ser alcançado. Em Passo Fundo, são mais de 10 mil pessoas que estão na fila de espera aguardando, pacientemente, serem contempladas com a casa própria. A demora é tamanha que muitos desistiram de esperar pelos órgãos responsáveis e indo à luta, a fim de ter esse direito constitucional respeitado.
Foi com esse intuito que um grupo de pessoas, há pouco mais de 6 anos, decidiu encarar a árdua missão de ver esse sonho ser realizado. Através do Grupo de Mulheres Unidas Venceremos nasceu um projeto de construção de um loteamento como moradias populares e que pudesse beneficiar centenas de pessoas.
Liderado pela coordenadora Joselina Almeida, o grupo se habilitou junto a Caixa Federal para receber os recursos necessários para a compra da área e construção das moradias. O projeto começou a ser desenvolvido em 2009, mas foi somente em 2011 que a primeira etapa foi vencida, quando a Caixa liberou R$ 1,2 milhões para a compra da área de 9 hectares, no Loteamento Leonardo Ilha. “Depois disso, seguimos empenhados em conquistar o valor necessário para as obras. Conseguimos o financiamento em 2014 para todo o projeto orçado em R$ 13 milhões”, disse Joselina.
Em setembro de 2014, as obras dos Loteamentos Canaã I e II tiveram início. Estão sendo construídas 210 moradias. As casas tem 45m², dois quartos, sala, cozinha, banheiro e contará com sistema de energia solar. “Estamos com 50% das obras concluídas. O prazo para o término do trabalho é junho de 2016”, registrou Joselina.
A coordenadora citou certa preocupação sobre a liberação dos recursos pela Caixa Federal. Segundo ela, existe um atraso nos repasses que acabam interferindo no ritmo das obras. Inicialmente, eram 80 operários trabalhando. O número reduziu pela metade nos últimos meses e pode sofrer mais um corte. “Estamos mantendo as obras em ritmo mais lento. A Caixa está atrasando a liberação e isso nos deixa um pouco angustiados. Temos fé de que essa situação vai se normalizar em breve, com as obras retomando ao nível normal”, disse.
Expectativa pela casa nova
Como forma de organizar a visitação ao canteiro de obras, foi definido que somente nos finais de semana o acesso dos beneficiários é liberado. “Percebemos muita alegria e expectativa nas pessoas. Cada beneficiário já tem sua escritura da casa e sabe exatamente onde ela está sendo construída, podendo acompanhar de perto a evolução dos trabalhos. É uma responsabilidade muito grande para nós. Promessas feitas estão sendo cumpridas. Aos poucos, esse objetivo se torna realidade”, destacou.
Mulher: a chefe do lar
Uma característica marcante desse empreendimento é que 70% das moradias têm mulheres como chefes de família. Além disso, a definição dos beneficiários obedeceu aos critérios do Programa Minha Casa, Minha Vida onde idosos, solteiros, pessoas com necessidades especiais e em vulnerabilidade também estão contempladas.
Para pagar o financiamento que foi obtido junto a Caixa Federal, cada beneficiário comprometerá apenas 5% da renda mensal familiar, que não pode ser superior a R$ 1.600. Quando as famílias assinaram o contrato com o banco, o superintendente Ruy Kern elogiou o pioneirismo e a organização do grupo. “É um projeto inédito. A Caixa repassa os recursos para a entidade que tem a responsabilidade por administrá-lo. Foi construída uma alternativa que não dependeu de uma ação do poder público. É um exemplo a ser seguido”, destacou Kern.