Funai esclarece situação dos índios na Rodoviária de Passo Fundo
Na segunda-feira (21) a Rádio Uirapuru relatou a ocupação de indígenas da região na Rodoviária de Passo Fundo. Os passageiros reclamavam que não conseguiam utilizar banheiros, de crianças pedindo esmolas e correndo entre os veículos, além da presença de alguns alcoolizados.
Diante do transtorno, o diretor da rodoviária, o advogado Jabs Paim Bandeira, que foi ameaçado quando falava ao vivo na programação, relatou que procurou o serviço da Fundação Nacional do Índio para resolver o impasse, mas não teve retorno.
Foi esclarecedora a entrevista do o chefe do serviço de gestão ambiental e territorial da Funai de Passo Fundo, Mauro Leno, no programa Repórter do Povo de ontem (22). Detalhando o papel do órgão, as informações reveladas mudam a concepção do papel do índio na sociedade, para a maioria dos brasileiros.
Devido ao período de festas natalinas, as tribos se concentram em lugares com maior fluxo de pessoas para vender artesanato, e que ali não é moradia para eles, e sim um acampamento temporário para aumentarem a fonte de renda vendendo a arte produzida por eles. Para Mauro Leno, a população ainda desconhece o papel da FUNAI, e nesses casos, eles não podem retirar os indígenas desses locais, e sim conversar com a liderança das tribos e ver a melhor forma de resolver a situação.
De acordo com ele, é importante ressaltar que este órgão é responsável por fiscalizar as políticas públicas que abrangem os povos indígenas e assegurar os direitos dessa população, ressaltando que o governo municipal também tem deveres para com os índios.
Iniciativas para solucionar essa questão, podem ser observadas em outras cidades, como Gramado, Curitiba ou Porto Alegre, que criaram centros de passagens, justamente para essa comunidade não acampar em lugares públicos. Mauro Lano comenta que a instituição procurou as autoridades políticas para discutir sobre esse assunto.
Outro fator que incomoda os passageiros da rodoviária de Passo Fundo é a prostituição infantil, ao que o representante da FUNAI acrescenta que esta prática é crime e neste caso a Brigada Militar e o Conselho Tutelar devem atuar. Eles têm direitos e deveres, como qualquer um, como os senegaleses, italianos ou alemães, e todos os imigrantes. Eles podem andar pelas ruas, ou até mesmo pedir esmolas, se prostituir ou beber, práticas que não são crimes, para brancos, sendo assim não serão também para os indígenas. Lembrando que para quem comete uma infração, a lei é a mesma, sem distinções.
No caso específico das crianças indígenas, como ocorre com as outras, se elas estiverem em situação de risco as autoridades têm a obrigação de agir. Não são piores e nem melhores do que os nascidos em Passo Fundo, ou mesmo do que os estrangeiros que com tanto carinho o município, como cidade refúgio, acolhe.
Temos que ressaltar que muitas vezes a população se incomoda apenas com a presença dos índios, e quanto a isso a FUNAI não pode fazer nada. A comunidade deve entender que índios podem sim ser penalizados assim como qualquer outra pessoa, e possuem direitos também. Existe muita generalização em relação a eles, é preciso que a comunidade respeite as diferenças culturais.