Para advogado faltou bom senso e organização por parte do DML
Passo Fundo acompanhou nos últimos dias o drama de uma mãe para enterrar um filho. O marceneiro de Tapera, Gilmar César Dierings, de 34 anos, estava desaparecido desde o dia 28 de dezembro, quando foi encontrado morto no último sábado (17).
Assim que foi encontrado, o corpo foi levado até o Departamento Médico Legal de Passo Fundo, onde deu inicio a uma luta da família para conseguir a liberação de Gilmar. O DML aguardava o encaminhamento do corpo a um exame de Raio X, para apurar as causas da morte. Porém, o departamento estava com falta de profissionais para operar a máquina.
O drama se estendeu por cinco dias, na quinta-feira pela manhã (21) a mãe de Gilmar, Marta Dierings, em entrevista à Rádio Uirapuru, relatou a dor de não saber quando poderia sepultar o filho. Aos prantos dona Marta apelou por ajuda. Minutos depois do relato da mãe, a Uirapuru procurou o diretor regional do IGP, Marco Antonio Curcio, que alegou que o transtorno só estava acontecendo devido a falta de pessoal no período de férias do órgão.
Diante da dor da família, o diretor afirmou que o corpo seria liberado no mesmo dia. Após as 14hs, o exame foi realizado, mas o drama continuou. Faltava a assinatura de um médico perito nos laudos e ele estava em Porto Alegre. Os outros médicos não poderiam assinar, pois tinha que ser o perito que recebeu o corpo no sábado. Após muitas manifestações populares na Rádio Uirapuru e com a presença do advogado Flávio Algarve , por volta das 18h30min aconteceu a liberação.
Comoção Pública
De acordo com Flávio Algarve, a burocracia, ou desculpa para não fazer na hora, acontece frequentemente. Segundo ele, seria totalmente dispensável a assinatura do legista que recebeu o corpo no dia 17. Ele reforça que o processo burocrático deste caso, foi falta de bom senso e sensibilidade por parte do órgão público.
Ele relata que a situação quando chegou ao DML era deprimente, pois a família já estava com a igreja cheia, fazendo uma missa sem corpo presente, além da incerteza se o departamento iria liberar Gilmar. A família de origem simples, em sofrimento, desconhecia o direito de retirar o filho, garantido juridicamente. O advogado lembra que mesmo que seja difícil de acreditar, essas situações acontecem, por falta de estrutura e organização.
Algarve ainda explica que nestes casos, os responsáveis, em muitos casos, se aproveitam da situação, pois acham que é um favor que estão fazendo. Para ele, a situação é um exemplo de uma burocracia, e de alguém para se valer dela e não fazer o que deveria.