Pedro Corrêa cita ministro do TCU e políticos em delação premiada
Nesta sexta-feira foram divulgadas informações da delação premiada do ex-presidente do PP e atual deputado federal Pedro Corrêa na Operação Lava Jato. A delação cita políticos da base do governo, em um dos pontos, chamado de “Mesada de Augusto Nardes”, cita diretamente o ministro gaúcho Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre os anos de 2003 e 2005, Corrêa afirma que na época em que Nardes era deputado federal do PP, o ministro estava entre os nomes da bancada que recebia propinas arrecadadas pelo deputado José Janene, morto em 2010, junto à Petrobras e a outros órgãos com diretoria do partido.
Relata ainda, que um recibo, de valor baixo – entre R$ 10 mil e R$ 20 mil -, foi destruído na época em que Nardes virou ministro do TCU, em 2005. O documento comprovava o pagamento de propina. A destruição do papel foi feita porque, segundo Corrêa, prejudicava a nomeação.
Na delação citou a irmã do senador tucano Aécio Neves, Andréa Neves, como responsável por realizar movimentações financeiras para o parlamentar.
Outro nome citado foi do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o deputado uma emenda constitucional foi aprovada, possibilitando a reeleição de Cardoso. O ex-chefe de Estado teve apoio do empresariado para aprovar o projeto de continuidade no cargo.
Corrêa mira ainda o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indica a participação do petista em uma reunião com José Dirceu e José Eduardo Dutra, na época presidente da Petrobras, para acertar a nomeação de Paulo Roberto Costa para assumir o posto na estatal.
Em um diálogo entre Dutra e Lula, o primeiro tenta argumentar contra a nomeação de Costa para diretoria da Petrobras. “Mas Lula, eu entendo a posição do Conselho. Não é da tradição da Petrobras nomear assim, sem mais nem menos, um diretor”, teria dito.
Conforme Corrêa, Lula teria respondido da seguinte forma: “Se fôssemos pensar em tradição, nem você era presidente da Petrobras e nem era presidente da República”.
O ministro do TCU Augusto Nardes afirmou que o envolvimento do seu nome na delação é na realidade uma retaliação de Corrêa à oposição que fazia ao PP. O senador Aécio Neves disse apenas que sua irmã Andréa nunca conheceu Corrêa e jamais teve contato com ele.
O Instituto Lula afirmou que não comenta falatórios e disse que quiser levantar suspeitas em relação ao ex-presidente deve apresentar provas.
*Folha de São Paulo