MAVRS, há 20 anos incentivando novas interpretações da realidade
Foi em 1996, por meio de um convênio firmado entre a Universidade de Passo Fundo e a Prefeitura Municipal, que se deu a criação do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS). O espaço, o único da tipologia no norte do estado, celebra 20 anos em 2016 e, mais do que preservar a história, democratiza o acesso à arte e à cultura, oportunizando a vivência, a aprendizagem e a apreciação das diversas linguagens artísticas, bem como seu conhecimento como patrimônio. O Museu de Artes Visuais Ruth Schneider foi inaugurado em 18 de maio de 1996, pela Fundação Universidade de Passo Fundo e é vinculado a Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários. Além disso, é um espaço de pesquisa e estágio para os acadêmicos do curso de Artes Visuais da UPF e possui cadastro junto ao Sistema Estadual e Nacional de Museus.
Acervo e exposições: fomento à arte e à cultura
A formação original do acervo partiu de um lote de aproximadamente duzentas doações feitas pela artista plástica passo-fundense Ruth Schneider – razão pela qual o Museu tem seu nome – e de doações de artistas e galeristas de Porto Alegre, como Milton Couto (Galeria Arte & Fato), Renato Rosa (Agência da Arte), Oficina 11, Roberto Schmith Prym e o Museu do Trabalho, entre outros.
Atualmente, o acervo do MAVRS é composto com mais de 1.300 obras entre gravuras, pinturas, desenhos, esculturas, fotografias, objetos, instalações de artistas como Xico Stockinger, Vasco Prado, Maria Tomaseli Cirne Lima, Gustavo Nackle, Luiz Gonzaga Mello Gomes, Nelson Jungbluth, Carlos Scliar, Henrique Fuhro, Danúbio Gonçalves, Nadja Rossato Cruz, Miriam Postal, Maia Mena Barreto, Clara Pechansky, Wilson Cavalcante, Tania Couto, Anico Herkowitz, Roseli Doleski Pretto, Maria Lucina Busato Bueno, Caé Braga, Benno Pfersher, Alice Brugmann, Fernando Baril, Enrico Bianco, Esther Bianco, Rosana Bortolin, Paulo Chimendes, entre outros.
Conforme a coordenadora do MAVRS, museóloga Tania Aimi, desde 2006, o Museu conta com duas Reservas Técnicas, com sistema de traineis e outra com mapotecas para o acervo sobre papel, onde são acondicionadas as obras que não estão em exposição. “Trabalhamos com a proposta de exposições de curta duração, revezando suas obras em exposições realizadas por meio de curadorias feitas por pessoas convidadas ou pela equipe do Museu”, comenta.
Desde sua inauguração, já foram montadas mais de 300 exposições intra e extra-muros de curta duração, com obras do acervo, bem como de artistas e instituições convidadas, que visam oferecer à comunidade local e regional a oportunidade de vivenciar, aprender e apreciar as diversas linguagens artísticas para a formação de uma consciência estética e exercício pleno da cidadania. “Além da observação às obras expostas, ocorrem encontros com os artistas expositores, durante a abertura da exposição ou em datas previamente agendadas, destinados a estudantes de Artes e a demais pessoas interessadas”, destaca a coordenadora.
Quem foi Ruth Schneider
Ruth Schneider nasceu em 8 de maio de 1943, na cidade de Passo Fundo. Desde pequena, gostava de passar o tempo copiando historinhas de gibi, e, aos 10 anos, ela já fazia colagens e imagens de revistas e jornais. Esse talento levou-a a transitar entre a pintura, a gravura, a escultura e o desenho. Autodidata, estudou, em 1974, no Ateliê Livre, em Porto Alegre, com artistas importantes como Fernando Baril e Paulo Porcella. Em 1990, expôs na 21ª Bienal Internacional de São Paulo. Participou de importantes salões internacionais e nacionais, como o 3º Salão Jovem Arte Sul América, e, em 1983, expôs no Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS). Sua obra traduz a essência do pensamento criativo e nos leva a um turbilhão de leitura.
Edificação centenária abriga o MAVRS
Em um terreno localizado na então Rua do Comércio, atual Avenida Brasil, foi construído entre 1909 e 1911 o prédio para sediar a Intendência Municipal de Passo Fundo, inaugurado em 25 de julho de 1911. Na década de 1930, a sede do governo municipal passou a chamar-se Prefeitura e permaneceu nesse prédio até 1976. O prédio integra o Projeto Pró-Memória Gaúcha de 1984 e é tombado pelo município de Passo Fundo, integrando o Patrimônio Histórico do estado do Rio Grande do Sul. Em 1995, o prédio foi reformado para abrigar o Museu Histórico Regional (MHR) e o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider e, nos últimos meses, um novo investimento foi realizado, restaurando o prédio centenário que abriga os museus.
Exposições em destaque
Atualmente, o MAVRS tem aberta a exposição “A palavra ingrediente: receitas para uma arte cotidiana hoje”, da artista Márcia Braga. A exposição trabalha com alguns sentidos sensoriais, como o tato, a audição e o paladar. A proposta é que, a partir dos biscoitos em forma de letras que estão dispostos nas mesas, os visitantes possam degustar aquelas “letras” ao som de poesias, seria como se o visitante estivesse degustando a poesia. Essa exposição é resultado do trabalho de conclusão da artista no curso de Artes Visuais na UFRGS. Ainda, está à mostra a exposição “Diversidade do feminino”, que tem como enfoque representar as diferentes mulheres, a partir das produções da artista visual Daniele Stuani e de obras do acervo. O período para visitação para ambas as exposições é até 8 de maio.
Visite
O Museu é aberto de terça a sexta-feira, das 8h30min às 17h30min, e nos sábados e domingos, das 13h30min às 17h30min. Nas segundas-feiras, o serviço é interno. O espaço cultura está localizado na Avenida Brasil Oeste, 758, centro de Passo Fundo. Informações pelo telefone (54) 3316-8586, pelo e-mail mavrs@upf.br, ou no site www.upf.br/mavrs.