Cardozo declara que acusações de Delcídio são inconsistentes
Na manhã desta quarta-feira (4), o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo reagiu ao pedido de abertura de inquérito contra ele feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no âmbito da Operação Lava Jato. No pedido, estão citados também a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.
A suspeita é de obstrução à Justiça por suposta tentativa de atrapalhar as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras.
Cardozo classificou a tese de “obstrução da Justiça” como “inconsistente” e disse que ela “não tem o menor cabimento”. O ministro lamentou o vazamento das informações que constam no pedido, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.
“Eu reajo com tristeza. Não em relação à apuração em si, porque ela tem que ser feita, mas mais inconsistente e inverossímil que seja. O que eu lamento é o vazamento, porque trata-se de uma investigação que está sob sigilo. A tese (obstrução da Justiça) é completamente inconsistente, não tem o menor cabimento”, avaliou.
Para José Eduardo Cardozo, as informações que embasaram o pedido foram narradas por Delcídio do Amaral “num contexto de vingança”.
“No momento em que ele foi preso, vários recados chegaram, inclusive em matérias publicadas pela imprensa. De que se o governo não agisse, junto ao STF, ele faria uma retaliação. Isso ficou meio público. Ele queria sair da cadeia, e para sair, precisava fazer delação. Então, ele uniu o útil ao agradável, fez a delação, mas com fatos que evidentemente não se comprovam”, disse.
Impeachment
O advogado-geral da União afirmou ainda que irá à comissão especial do impeachment no Senado amanhã, para apresentar uma nova defesa da presidente Dilma Rousseff no processo. Desta vez, rebatendo os argumentos que serão apresentados nesta tarde pelo relator, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).
Cardozo explicou ainda que a presidente Dilma não perderá o foro privilegiado, no caso de ser afastada por 180 dias, se o plenário do Senado decidir pela admissibilidade do impeachment. “Ela continuará presidente, apenas não estará no exercício da função”, disse.
No caso de ministros, se forem exonerados, eles perderão o foro privilegiado. Porém, o inquérito poderá continuar no STF, se houver pessoas com prerrogativa de foro dentro da investigação.
*Rádio Gaúcha