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Geral

Desenrola Brasil amplia alcance em cenário de forte inadimplência em Passo Fundo e região 

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O governo federal relançou nesta segunda-feira, 4,  o programa Desenrola Brasil, ampliando o alcance da iniciativa voltada à renegociação de dívidas. A proposta contempla pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e permite negociar débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, especialmente no sistema financeiro. A medida também abre a possibilidade de uso do FGTS para abatimento das dívidas, o que reacende o debate sobre os impactos no endividamento em nível local.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, o diretor do SCPC da CDL de Passo Fundo, Valter Ceolin, afirmou que o programa pode ajudar a reduzir a inadimplência, mas exige cautela por parte do consumidor. Segundo ele, a iniciativa é direcionada principalmente a dívidas bancárias, como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e FIES. Ceolin alertou que o uso do FGTS deve ser bem avaliado, já que se trata de um recurso do trabalhador. Ele orienta que o consumidor faça cálculos antes de aderir, para verificar se a renegociação realmente traz vantagem.

Os dados locais mostram um cenário de preocupação. Conforme o dirigente, a inadimplência na região de Passo Fundo atinge 40,6% da população, índice superior ao registrado no Rio Grande do Sul (36,9%) e no país (34,65%). Ceolin destacou a diferença entre estar endividado e inadimplente, explicando que o problema maior ocorre quando o consumidor deixa de pagar e perde o acesso ao crédito, o que impacta diretamente o consumo e a economia.

Sobre o perfil dos devedores, o diretor do SCPC apontou dois grupos predominantes. O primeiro é formado por pessoas entre 25 e 40 anos, que estão iniciando a vida financeira, assumindo financiamentos e despesas familiares. O segundo grupo reúne pessoas com mais de 60 anos, que enfrentam perda do poder de compra em função de reajustes menores nas aposentadorias. Em ambos os casos, a falta de planejamento financeiro aparece como fator determinante para o desequilíbrio das contas.

Ceolin ressaltou que o Desenrola pode oferecer um alívio imediato ao permitir a regularização do nome, mas alertou para o risco de novo endividamento a longo prazo. Ele defendeu a necessidade de replanejamento financeiro e recomendou que o consumidor assuma apenas compromissos compatíveis com sua renda. Também chamou atenção para o impacto das apostas online, citadas como um dos fatores que contribuem para o aumento das dívidas.

Para quem deseja aderir ao programa, a orientação é procurar diretamente a instituição financeira credora. No caso de dívidas com o comércio, a recomendação é negociar diretamente com o lojista. Ceolin enfatizou que não há necessidade inicial de recorrer a advogado e que o consumidor deve buscar as melhores condições dentro do prazo de adesão, avaliando com cuidado cada proposta antes de fechar acordo.