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O mundo não é dos espertos, mas dos honestos

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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A esperteza costuma receber aplausos rápidos. Em muitas rodas, o gesto astuto parece inteligência, a vantagem indevida parece competência, e a mentira bem vestida chega a ser confundida com talento. Aos olhos apressados, quem engana sem ser percebido quase sempre passa por vencedor. Mas a consciência não se deixa ludibriar por muito tempo, e a vida moral de cada criatura registra, em silêncio, o que a aparência esconde.

A doutrina espírita ensina que ninguém fere a verdade sem ferir a si mesmo. Todo ato produz consequência, não por castigo, mas por justiça natural. A criatura desonesta pode atravessar anos colhendo benefícios exteriores, porém traz para dentro de si um empobrecimento difícil de medir. A alma vai perdendo paz, limpidez e confiança. Pequenas concessões ao engano abrem espaço para quedas maiores, e o que começou como expediente logo se converte em hábito, depois em prisão íntima.

A honestidade, ao contrário, raramente seduz os ambiciosos. Seu brilho não costuma fazer espetáculo. É nela que repousa a força dos espíritos íntegros. Um coração verdadeiro talvez avance mais devagar no mundo, mas caminha sem medo da própria memória. Nenhuma riqueza comprará o sossego de quem não precisa esconder o rosto diante da própria consciência. Kardec escreveu que “fora da caridade não há salvação”, e a caridade começa também no respeito ao que é justo, no dever bem cumprido, na recusa de prejudicar o semelhante para colher vantagem.

Muita gente sofre porque vê o desonesto prosperar e o correto ser esquecido. Essa aflição nasce do olhar preso a um recorte curto da existência. A vida não termina no aplauso social, nem se resume ao lucro de uma estação. O espírito carrega consigo o que fez de si. A astúcia que humilha e falsifica pode render proveito passageiro. A retidão, silenciosa, enobrece por dentro. Entre parecer grande aos homens e permanecer limpo diante de Deus, mora a escolha que define destinos.

 

Por@diarioespirita1

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